Leitura e escrita de diário pessoal na alfabetização: aprendizagem garantida

Leitura e escrita de diário pessoal na alfabetização !!!

Leitura a escrita de parlendas, listas, ditados populares, legendas, cantigas de roda, quadrinhas e bilhetes são algumas das atividades essenciais e próprias do processo de alfabetização, e estão sempre presentes em minha rotina pedagógica para alfabetizador meus alunos. Sem contar os projetos de alfabetização com haicais e também com lengalengas, que além de contribuírem para ótimos resultados na aprendizagem, me renderam o maravilhoso Prêmio Educador Nota 10, em 2014.

Leitura e escrita de diário pessoal na alfabetização: aprendizagem garantida
A vontade dos alunos de compartilhar suas experiências pode ser usada em prol da aprendizagem da escrita. Foto: Mara Mansani

Mas quais outras atividades de leitura e escrita também podem contribuir para a continuidade do processo de alfabetização, quando os alunos já estão alfabéticos?

Uma proposta super bacana, que os alunos adoram, se identificam, e que contribui significativamente no desenvolvimento da leitura e escrita na continuidade do processo de alfabetização, são as produções de diários pessoais. Que tal experimentar com seus alunos?

Parece difícil, mas não é não! Compartilho com vocês o passo a passo dessa experiência. Realizei no ano de 2015, com uma turma de alfabetização em continuidade, mas é possível realizar com diferentes turmas.

Ao propor a escrita de diários pessoais, meus objetivos eram:

– Que meus alunos escrevessem alfabeticamente textos de próprio punho, de autoria, individualmente, consolidando conhecimentos já adquiridos na alfabetização inicial;

– Produzissem textos buscando aproximação com as características discursivas do gênero (relato pessoal: diário), tendo como modelos os textos apresentados;

– Apreciassem textos do gênero, através da leitura de obras com relatos verídicos (ex: O Diário de Anne Frank) e ficcionais (ex: Diário de um banana);

O diário é um relato pessoal, de caráter subjetivo, escrito em primeira pessoa do singular, geralmente em linguagem informal, sem uma estrutura muito rígida, mas com alguns elementos característicos como: data, vocativo (“meu querido diário”), despedida e assinatura.

Nesse gênero textual, muitas vezes não há um interlocutor específico, pois quem escreve e lê o diario, em geral é a mesma pessoa, mas também é possível que haja um interlocutor, real ou fictício.

Por que as pessoas escrevem em diários?  Para expressar sentimentos, relatar vivências, ideias, desejos, sonhos, acontecimentos e fatos do cotidiano, opiniões, segredos e muito mais.

A amplitude de possibilidades e a flexibilidade de sua estrutura tornam o diário uma atividade rica para o desenvolvimento da escrita e da leitura na alfabetização. Há uma necessidade muito grande dos alunos de se expressarem livremente, e a escrita de diários cumpre com esse papel.

Os alunos, quando descobrem os diários, não querem mais parar de escrever. Assim, a escrita ultrapassa os limites da sala de aula. Mas na escola, na realização dessa atividade, precisamos ter um cuidado para não expor e invadir a intimidade nossos alunos.

Combinamos na turma que eu, como professora, poderia ler seus diários para orientá-los no desenvolvimento da escrita, afinal, a proposta era, no fim das contas, de aprendizagem. Com isso, dei liberdade aos meus pequenos para que eles escolhessem o que queriam relatar em suas produções, já sabendo que seriam lidos por outra pessoa. Depois desse combinado importante, desenvolvi com eles as seguintes etapas:

Leitura e escrita de diário pessoal na alfabetização: aprendizagem garantida

1ª etapa: levantamento sobre o que conheciam sobre diários

Todos eles já conheciam um pouco sobre o tema. Citaram o diário ficcional: diário de um banana, mas nunca haviam escrito um diário pessoal. Empolgação geral para começar!

2ª etapa: apresentação e leitura de diários verídicos e ficcionais

Apresentei e li aos alunos trechos de vários diários: O Diário de Anne Frank; o Diário de Zlata; Diário de um Banana; Querido Diário Otário e Diário de uma garota nada popular.

Eles adoraram e se emocionaram ao saber sobre a vida de Anne Frank. Falaram o que mais gostaram e sobre as ideias para escrever seus próprios diários. Um exemplar do livro diário de um banana ficou circulando entre eles para a leitura de todos.

3ª etapa: levantamento das características comuns a todos os diários lidos

Em uma conversa coletiva, os alunos facilmente perceberam os elementos que compõem um diário: relato de vivências, presença do “eu”, datas, etc.

4ª etapa: montagem do diário

A proposta foi montar um pequeno livreto de papel sulfite, com quatro folhas, dobradas ao meio no sentido vertical. Esse livreto seria usado para que eles escrevessem um diário por uma semana, em sala de aula, com meu acompanhamento, intervenções pedagógicas e orientações diárias.

Cada um criou e personalizou seu diário com desenhos. Ficaram lindos! Debatemos também o preconceito que muitos têm de dizer que diário é coisa de menina. Nenhum menino se recusou a escrever, pelo contrário: tudo foi muito natural! Afinal, escrita de diário é para todos!

5ª etapa: escrita dos relatos pessoais nos diários

Por uma semana, os alunos escreveram em seus diários. Na segunda-feira escreveram sobre o domingo, na terça sobre a segunda-feira, e assim por diante.

Cada aluno foi acompanhado individualmente. Eu lia o que eles haviam escrito, com eles, questionava sobre suas escritas, dava orientações sobre como melhorá-las, por exemplo, em relação a repetições, ao uso das pontuações, entre outras coisas.

Anotei as dificuldades apresentadas nas escritas e preparei aulas voltadas para atender às necessidades de aprendizagem dos alunos. Com isso, as escritas passaram a ter mais qualidade.

O interessante foi ver que alguns alunos começaram a fazer seus próprios diários pessoais sozinhos em suas casas, mas dessa vez, como diziam eles, “com informações confidenciais!”.

6ª etapa: avaliação

Valeu demais! As escritas avançaram! Todos gostaram de escrever! Virou uma febre escrever no diário!

Apesar de ser um gênero textual geralmente não pensando para a alfabetização, o diário pessoal é uma atividade que, se bem orientada, contribui significativamente para o desenvolvimento da escrita dos alunos!

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E vocês, queridos professores? Que atividades de leitura e escrita vocês estão fazendo com seus alunos para desenvolver e dar continuidade à alfabetização?

Por: Mara Mansani
Fonte: NOVA ESCOLA

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