As Competências do Educador do século XXI

As Competências do Educador do século XXI – O educador contemporâneo deve ser acima de tudo crítico. Analisar, conhecer, absorver e principalmente entender as mudanças sociais, culturais e tecnológicas que ocorrem quase que diariamente no mundo todo.

As Competências do Educador do século XXI

O educador deve acima de tudo estar mais próximo ao educando, conhecê-lo melhor, conhecer suas necessidades e também suas potencialidades, trabalhando sempre o princípio da afetividade “ Teoria defendida por WALLON” e outros inúmeros pesquisadores da educação. Não cabe mais somente culpabilizar o aluno por seu fracasso escolar, mas assegurar-se de que ele esteja sendo atendido de forma adequada, observando e escutando sua realidade, dificuldades e problemas como ponto de partida para o processo de ensino-aprendizagem, pois sabemos que cada indivíduo aprende de forma particular, de acordo com os seus interesses e que cada um tem o seu próprio ritmo, tendo no fator “querer” o ponto determinante para o processo de conhecimento. E é esse “querer aprender” que devemos semear no aluno, com um ensino voltado para responder questões do seu cotidiano, um ensino que faça sentido para a sua vida, que esteja dentro da sua realidade e que, assim, o estimule, cada vez mais, a buscar o saber.

Não se contente em desculpar a escola, argumentando que esses fatos, reais, são apenas um aspecto de um desequilíbrio social que não é particular à nossa época. Nem por isso deixa de ser verdade que você não soube reconhecer nem explorar as aptidões e os talentos do homem de negócios, do pugilista, do ciclista e do cantor. Você até correu o risco de os “desencaminhar”, o que é grave. E isso, sem dúvida, porque, ligado com fidelidade excessiva à tradição, você também perdeu muito tempo reerguendo muros que se tornaram inúteis, pois você se obstina em seguir por caminhos que a nada conduzem e não sabe exaltar as novas forças que, para além das máquinas e das mecânicas, dão uma medida suprema do homem. (FREINET, 2004, p. 16)

Não basta, para o educador, apenas ensinar no sentido de transmitir o saber. É preciso que se ensine a pensar, a refletir sobre o objeto da aprendizagem, é preciso que o aluno entenda seu papel na sociedade, tanto no presente, quanto no presente futuro. Como disse Paulo Freire: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Este é o pensamento que deve ser disseminado entre os professores e incorporado nas propostas de ensino das escolas da rede pública.

É importante salientar que o fato de reconhecer as possíveis contribuições das novas correntes pedagógicas para a prática docente e utilizar-se delas, não significa, necessariamente, ir de encontro, de forma radical, ao ensino tradicional. Assim como Georges Snyders que estudou a Escola Tradicional e a Escola Nova e elaborou, a partir dos resultados desses estudos, uma nova pedagogia: a Pedagogia Progressista, que se contrapõe a estas correntes, mas ao mesmo tempo aponta pontos positivos em cada uma delas, eu também não me situo de forma totalmente contrária à Escola Tradicional. Na verdade, as Tendências Pedagógicas Contemporâneas não devem significar o fim do Ensino Tradicional, mas a sua evolução, o seu amadurecimento, concebido a partir das mudanças e novas demandas da sociedade.

Acredito que se o professor tiver um conhecimento mais ampliado em torno das possibilidades de direcionamento de seu trabalho, além de consciência das dimensões política e social de sua prática docente e ainda conceber a importância de novas soluções de aprendizagem e propostas de ensino, mesmo em meio às dificuldades do cotidiano dessas escolas, é possível que este profissional seja capaz de transpor, com criatividade e eficiência, os obstáculos e assim, desenvolver um trabalho docente mais qualificado, responsável e significativo.

Temos consciência de que a tarefa de educar no Brasil não é nada fácil, principalmente em meio a todos os problemas observados no âmbito do sistema público de ensino, que vão além da baixa remuneração dos professores, passando pela má formação e desvalorização desses profissionais, infra-estrutura insatisfatória, e isso sem falar no desrespeito e violência que, infelizmente, já se tornaram comuns no cotidiano escolar. Contudo, nas palavras de Saviani (1996):

Efetivamente, se as condições se tornaram adversas, esse fato, em lugar de nos levar ao desânimo como infelizmente tende a acontecer, deve conduzir- nos a ampliar a nossa capacidade de luta, organizando-nos mais fortemente e atuando decisivamente no interior das escolas e junto ao Estado no sentido de transformar em verdade prática a consciência, já consensual, da importância estratégica da educação e da urgência e da urgência da resolução de seus problemas. (prefácio)

As Competências do Educador do século XXI

As Competências do Educador do século XXI

Mesmo sendo direcionado, mais especificamente, para a área de gestão educacional, esse pensamento crítico do autor pode e deve ser apropriado também no âmbito docente das instituições públicas de ensino. Faz-se necessário que o professor tenha consciência do seu papel na escola e, principalmente, que queira, efetivamente, ser a diferença e contribuir para melhorar suas condições de trabalho e, consequentemente, a qualidade do ensino que é ministrado nas escolas da rede pública, ao invés de se limitar a reclamar do seu infortúnio. Afinal, creio que não sejam novidade para ninguém os problemas enfrentados pela educação no Brasil. Portanto, suponho que o indivíduo que escolhe ser professor neste país, já o faz sabendo o que enfrentará. Acredito numa escola humanitária, de quem quer, realmente, dar sua contribuição em prol da efetiva melhoria da questão educacional brasileira e lutar por melhores condições de trabalho.

O aprofundamento dos estudos com relação aos pressupostos teóricos e metodológicos de aprendizagem empregados pelas diferentes Tendências Pedagógicas e a desmitificação das novas correntes poderá proporcionar sim aos professores, um entendimento maior no que tange as dimensões política e social existentes em cada uma delas, e assim, contribuir para uma tomada de consciência com relação ao verdadeiro papel do educador nos dias atuais. Portanto educar implica em um envolvimento da comunidade, da sociedade, do poder público, gestões educacionais competentes e uma prática pedagógica mais equilibrada, responsável e verdadeiramente significativa.

Escolas são pessoas –  “José Pacheco”


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