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O melhor amigo – Interpretação de Texto para 4º e 5º Ano

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O melhor amigo – Interpretação de Textos para 4º e 5º Ano


O melhor amigo

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a
porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu
cautelosamente à distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma
corridinha na direção de seu quarto.
– Meu filho? – gritou ela.
– O que é? – respondeu, com ar mais natural que lhe
foi possível.
– Que é que está carregando aí?
Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara
a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ganhar tempo:
– Eu? Nada…
– Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar, o
jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou
à mãe o que estava carregando:
– Olha aí, mamãe: é um filhote…
Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
– Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
– Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote
de ISSO. Insistiu ainda:
– Deve estar com fome, olha a carinha que ele faz.
– Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
– Ah! Mamãe… – já compondo cara de choro.
– Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já
disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me
livre de ainda inventar uma amolação dessas.
O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia
lágrima. Voltou para o quarto emburrado: a gente também não tem nenhum direito
nessa casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo,
enxotado dessa maneira!
– Que diabo também, nessa casa tudo é proibido! –
gritou lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.
– Dez minutos! – repetiu ela, com firmeza.
– Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
– Você não é todo mundo.
– Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não
vou mais ao colégio, não faço mais nada.
– Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com
a costura.
– A senhora é ruim mesmo, não tem coração.
– Sua alma, sua palma.
Conhecia bem a mãe, sabia que não havia apelo:
tinha dez minutos para brincar, com seu novo amigo, e depois… Ao fim de dez
minutos, a voz da mãe, inexorável:
– Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
– Ah, mamãe deixa! – choramingou ainda.
– Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nessa
vida…
– E eu? Que bobagem é essa, você não tem a sua mãe?
– Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
– Deixa de conversa: obedece a sua mãe.
Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe
chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles
perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa toda…
Meia hora depois, o menino voltava da rua,
radiante:
– Pronto, mamãe!
E lhe exibia uma nota de vinte e uma de dez: havia
vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.
– Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza de
que ele dava – murmurou pensativo.
Fonte: “A Vitória da Infância” –  Fernando
Sabino – Editora Ática

QUESTÕES:
1.Por que o menino pensou que a mãe
não tinha visto o que ele carregava?
2.Copie do texto duas frases que o
menino utilizou para emocionar sua mãe e assim convencê-la a ficar com o
cachorrinho.
3.Quando o menino saiu de casa, sua
mãe ficou preocupada por ter sido tão rigorosa e pensou que o fato de ter
mandado o cachorro embora poderia trazer conseqüências mais graves, pois seu
filho ficaria muito triste. Essas preocupações da mãe se confirmaram? Por quê?
4.Releia o título do texto:
O melhor
amigo
Agora
responda à seguinte questão: O autor do texto escolheu esse título porque:
a.    (  
) O cachorro é o melhor amigo do homem.
b.    (  
) O menino era o melhor amigo do cachorro.
c.    (  
) No final do texto percebe-se que o menino não era tão amigo assim do
cachorro.
d.    (  
) O menino tinha muitos amigos.
5. Releia o trecho:
“Como
poderia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça?”
Essa
pergunta foi feita pelo filho para:
a.    (  
) A mãe.
b.    (  
) O leitor.
c.    (  
) Ele mesmo.
d.    (  
) O cachorro.
6. Releia o  trecho:
Pronto:
estava descoberto. Não adiantava negar, o jeito era procurar comovê-la. Veio
caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
a. O que a palavra grifada
significa?
b. Quem o filho queria comover?
7. Releia o trecho:
– Também,
de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais
nada.
– Veremos
– limitou-se a mãe, de novo distraída com a costura.
– A
senhora é ruim mesmo, não tem coração.
– Sua
alma, sua palma.
A expressão grifada significa
que:
a. (   ) A escolha é do
filho, mas se ele teimar em tomar essa atitude terá que se responsabilizar
pelas conseqüências.
b. (   ) Examinando sua
palma podemos saber como é sua alma.
c. (   ) A mãe pouco se
importa com as atitudes do filho.
d. (   ) O filho levaria
umas palmadas.
8.    Releia o
trecho:
“E lhe
exibia uma nota de vinte e uma de dez : havia vendido seu
melhor amigo por trinta dinheiros” .
Para que
servem  os dois pontos ( : )  utilizados pelo autor do
texto nesse trecho?
a.    (  
)  Para que o leitor descanse enquanto lê.
b.    (  
)  Para anunciar que, em seguida, algum personagem irá falar.
c.    (  
)  Para não ter que usar sempre a vírgula.
d.    (  
)  Para explicar ao leitor como o menino conseguira o dinheiro.
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