O brincar no processo de aprendizagem


O brincar no processo de aprendizagem – Considerando a perspectiva da teoria sócio histórica de Vygotsky, o ser humano aprende e se torna efetivamente humano na interação com o outro, ou seja, depende de um ambiente social para se desenvolver, com algum membro mais experiente da cultura, na mediação que se realiza entre o sujeito e os objetos do conhecimento. Neste sentido, as interações sociais, na abordagem de Vygotsky (1935/2002), permitem pensar o desenvolvimento da criança em constante construção e transformação.

O brincar no processo de aprendizagem

É mediante as interações sociais que criança conquista e confere novos significados e olhares para a vida em sociedade. Para Vygotsky, o ser humano é um sujeito interativo, e necessita disso para promover sua capacidade de aprendizagem, ou seja, um ser que elabora seus conhecimentos sobre os objetos, em um processo mediado pelo outro (Eu e Tu) Martin Buber (Recomendo a leitura).

O conhecimento se constrói a partir das relações sociais e é, por isso, marcado por condições culturais, sociais e históricas. Baseando-se nesta teoria, é nas interações que a criança constrói formas de pensar e vai se apropriando de saberes e conhecimentos. Essa interação não ocorre passivamente. As crianças se relacionam com o conhecimento de forma ativa, atribuindo-lhes significados, reproduzindo e transformando formas novas de compreender o mundo.

A maneira como a criança interage com o mundo é marcada pelo jog e pela brincadeira. Assim como as interações, a brincadeira é destacada como um dos eixos norteadores das práticas pedagógicas e ferramenta indispensável no processo de alfabetização, segundo o artigo 9º, das Diretrizes Curriculares da Educação Infantil (BRASIL, 2009).

No texto das diretrizes, pode-se observar que o termo brincadeira aparece no singular, enquanto a expressão interações aparece no plural. Essa opção parece indicar que as interações são múltiplas, das crianças, entre si, das crianças com os objetos do mundo, que são, por sua vez, resultado de diversas interações e das crianças com os adultos.

Por outro lado, podemos inferir que o emprego do termo brincadeira no singular designa uma maneira pela qual as crianças interagem com o mundo, apreendem e compartilham significados. O brincar expressa, nessa perspectiva, uma atividade humana, uma prática social, uma forma de expressão. O eixo dessa forma não são as brincadeiras (de roda, de faz de conta, folclóricas ou aquelas que se apoiam em produtos industrializados), mas sim o ato de brincar, de criar. Entretanto, a criança não aprende a brincar naturalmente. Segundo Brougère (2010), a criança desde quando nasce está inserida em um contexto social e cultural e seus comportamentos recebem influência desta imersão inevitável. Ela precisa aprender a brincar pela mediação do adulto ou de outra criança mais experiente. “A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto, de cultura” (BROUGÈRE, 2010, p. 104). Assim, ao falar de brincadeira, é preciso enfatizar o papel das interações nesta importante atividade da criança.

De acordo com Brougère (2010), não existe na criança uma brincadeira natural. Quando a criança brinca, ela se apropria do conteúdo cultural e social. Na brincadeira a criança se relaciona com conteúdos culturais que ela reproduz e transforma, dos quais ela se apropria e lhe dá uma significação. A brincadeira é a entrada na cultura, numa cultura particular, tal como ela existe num dado momento, mas com todo seu peso histórico.

A criança se apodera do universo que rodeia para harmonizá-lo com sua própria dinâmica. Isso se faz num quadro especifico, por meio de uma atividade conduzida pela iniciativa da criança, quer dizer, uma atividade que ela domina, e reproduz em função do interesse e do prazer que extrai dela. A apropriação do mundo exterior passa por transformações, por modificações, por adaptações, para se transformar numa brincadeira: é a liberdade de iniciativa e de desdobramento daquele que brinca, sem o qual não existe a verdadeira brincadeira. (BROUGÈRE, 2010, p. 82)

Brougère nos faz compreender que as brincadeiras envolvem um processo de reconstrução e ressignificação da realidade como um princípio de (re)elaboração da história e da cultura. As brincadeiras são compreendidas, por este autor, como prática social que possibilita à criança transformar sua realidade, exercitando o imaginário e consequentemente alicerçando o seu processo de alfabetizar.

Para Vygotsky, a imaginação é fruto do processo em que a mente humana é capaz de reproduzir experiências do passado, elaborá-las e recriá-las. Portanto, a apropriação da leitura e da escrita vincula-se a essa imaginação, chamada por ele de imaginação criativa.

Portanto a apropriação da linguagem oral e da linguagem escrita, está nas relações com esse processo. O diálogo contínuo entre ambas, cria condições para que as crianças desenvolvam habilidades para a construção da competência linguística, que será determinante no processo de alfabetização e letramento posteriormente.

Nesse diálogo, a narrativa surge como uma capacidade fundamental para a construção do pensamento Infantil. Daí a importância de trabalhar, desde cedo, o discurso narrativo. A literatura assume papel significativo, pois se vincula à imaginação e possui uma aproximação com o universo lúdico e criativo. Vygotsky em relação à criação literária, ajuda a compreender como literatura e brincadeira estão relacionadas e são ferramentas essenciais e indispensáveis para o processo de formação linguística das crianças e como é importante a interação social através de um mediador que sirva como facilitador destes conceitos, respeitando as fases de concepções linguísticas naturais da criança.


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