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Jovem que se alfabetizou aos 12 anos abriu primeira sala de leitura em favela de Caxias


Jovem que se alfabetizou aos 12 anos abriu primeira sala de leitura em favela de Caxias:A cada 15 minutos, um avião voa baixinho por cima da favela Parque das Missões, em Duque de Caxias, para pousar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, a 2,5 km dali. Nesses momentos, não é mais possível ouvir os passarinhos cantando. Também não dá mais para os leitores da comunidade manterem a concentração. E eles não são poucos. É que há dez anos o projeto social Apadrinhe um Sorriso promove a cidadania desses moradores através da cultura. A responsável por isso é Fabiana Silva, de 37 anos, a segunda personagem da série Os Extraordinários, que, para comemorar as duas décadas do jornal EXTRA, contará, sempre aos domingos, uma de 20 histórias de pessoas que transformam a vida de outras.

— O Apadrinhe um Sorriso começou no quintal. E hoje duas das nossas crianças passaram no concurso para o Colégio Pedro II. A gente entendeu que consegue causar impacto — diz Fabiana, que dá uma pausa na entrevista para o avião passar sem atrapalhar a gravação.

O Parque das Missões é uma comunidade composta por casas de alvenaria até a área conhecida como Colômbia, a mais carente da favela. Lá, o chão é batido e as casas são, majoritariamente, feitas de madeira. Ela é margeada pelo poluído Rio Pavuna, que desemboca na Baía de Guanabara, e por um valão, área de lazer das crianças do local.

Jovem que se alfabetizou aos 12 anos abriu primeira sala de leitura em favela de Caxias
Jovem que se alfabetizou aos 12 anos abriu primeira sala de leitura em favela de Caxias

É lá que Fabiana mora e onde construiu a primeira sala de leitura da favela. O Apadrinhe um Sorriso nasceu em 2008 com ações pontuais realizadas por Fabiana para a arrecadação de kits com presentes em datas como Natal. Lá, ela pedia aos seus colegas da Faculdade de Pedagogia da Uerj para que cada um comprasse um livro e uma roupa para as crianças do Parque das Missões.

— Eu achei que nós precisávamos fazer mais e passamos a realizar saraus no quintal dos voluntários para incentivar a leitura. Há quase quatro anos, eu comprei com o meu 13º salário dois barracos que havia aqui e transformamos em uma sede muito capenga — lembra Fabiana. — Mas faltava segurança. Aí, conversei com os responsáveis, e cada um ajudou do jeito que podia para fazer um espaço mais aconchegante.

Agora, a construção foi abaixo. Mas por um bom motivo. O grupo fez uma vaquinha virtual para construir uma sede melhor. E conseguiu arrecadar R$ 13,6 mil. A primeira parte do espaço será inaugurada este mês.

Fabiana já esteve fora da escola. Quando tinha 8 anos, precisou largar os estudos para cuidar de três irmãos enquanto a mãe se desdosbrava no tratamento de um filho com leucemia.

— Mas eu nunca larguei da leitura. Minha mãe me incentivou muito — conta Fabiana, que voltou para a escola quatro anos depois e acabou se formando pedagoga na Uerj. — Quando entrei na faculdade, tive que parar de trabalhar como camelô. Aí, minha mãe voltou a estudar para eu poder usar o RioCard dela.

O destino, no entanto, não foi o mesmo para os quatro irmãos. Um foi preso e outro, morto, aos 16 anos, pela polícia.

— Mas a minha história só foi possível pelo incentivo de várias outras — explica Fabiana.

‘A gente modifica a estrutura’

— A favela em que a gente vive tem uma praça que não é praça, é um terreno baldio, em que o posto de saúde funciona dentro de dois contêineres. É nessa favela que a gente realiza o nosso projeto. É uma comunidade esquecida pelo poder público, mas lembrada em época de eleições. Por isso, ter um projeto desse é importante. Porque, além de salvar vidas, quando a gente envolve o morador que não acredita que dá para transformar o local onde ele vive, a gente modifica a estrutura da favela — diz.

Fonte: http://www.hojemais.com.br/santa-fe-do-sul/noticia/geral/jovem-que-se-alfabetizou-aos-12-anos-abriu-primeira-sala-de-leitura-em-favela-de-caxias


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