Alfabetização, Artigos Educacionais, Letramento

Como trabalhar o processo de alfabetização na Educação Infantil


Como trabalhar o processo de alfabetização na Educação Infantil – Artigo enviado pelo nosso parceiro “Texto Prof Marcos L Souza” – Pedagogo – Psicopedagogo – Historiador e Pesquisador.

Como trabalhar o processo de alfabetização na Educação Infantil

Letramento e Alfabetização na Educação Infantil

Qual é a diferença entre alfabetização e letramento?

A alfabetização é um processo que começa muito antes da entrada da criança na escola, onde é submetida a mecanismos formais de aprendizagem da leitura e da escrita (VYGOSTSKY)

Entende-se por alfabetização o processo pelo qual se adquire o domínio de um sistema linguístico e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja, o domínio das ferramentas e o conjunto de técnicas necessárias para exercer a arte e a ciência da escrita e da leitura.

O letramento apareceu ao lado da alfabetização por se considerar o domínio mecânico da leitura e da escrita insuficiente na sociedade atual. Tornou-se primordial que a escola introduza tal conceito para os alunos nas práticas sociais de leitura e escrita, pois deixou de ser satisfatório em sua formação o desenvolvimento específico da habilidade de codificar e decodificar a escrita.

Para tal, é necessário mais do que apresentar para os alunos as letras e sua relação com os sons, as palavras e as frases. É preciso trabalhar com textos reais estimulando a leitura e a escrita dos diversos gêneros textuais para que as crianças aprendam a diferenciá-los e a perceber a funcionalidade de cada um dos textos e para que eles servem as diversas finalidades da leitura e da escrita (para que lemos e escrevemos).

Dessa forma, percebemos que alfabetizar e letrar são duas tarefas a serem desenvolvidas em simultâneo, uma completando a outra.

Promovendo o ambiente alfabetizador?

“[…] um ambiente é alfabetizador quando promove um conjunto de situações de usos reais de leitura e escrita das quais as crianças têm oportunidade de participar” (RCNEI; SEF, 1998, p. 154).

A seguir, sugestões para a organização de um ambiente alfabetizador.

  • Alfabeto num varal, perto dos alunos e na altura deles, no início do ano.
  • Espaço para exposição de textos usados na leitura compartilhada, para que eles possam recuperá-los quando quiserem.
  • Mural para exposição da produção dos alunos.
  • Biblioteca de classe, com materiais diversos de leitura.
  • Calendário com uma folha para cada mês que poderá ser preso a um cabide de saia (os alunos deverão receber uma folha de calendário similar para prender no caderno no começo de cada mês, para que façam a mesma marcação do calendário grande).
  • Banco de palavras.
  • Listagem com o primeiro nome de todos os alunos, organizados em ordem alfabética e tendo a letra inicial destacada em vermelho (usar letra maiúscula).
  • Numerário (sequência numérica de 0 a 10 e numeral/ quantidade/ número).

Priorizar o estímulo ao desenvolvimento cognitivo (Piaget) dos alunos é a tônica de um ambiente alfabetizador. Tudo que for absolutamente desafiador e possível de ser realizado propiciará um processo de ensino e aprendizagem muito mais harmonioso, por ser mais produtivo.

As crianças têm preferências por atividades diferentes e cada uma apresenta um ritmo próprio. O desenvolvimento das atividades psicomotoras, do relacionamento com os outros, da fala e de diversas outras formas de comunicação vão acontecendo em épocas relativamente distintas. As crianças reagem de formas diferentes, por isso o ambiente alfabetizador precisa ser organizado e assimilar hábitos de trabalho que contribuam para a independência de cada uma delas. A sala de aula deve estar preparada de forma a despertar o interesse pela leitura, pela escrita e pelo manuseio do material didático.

Este é um material “vivo” na sala de aula, ou seja, está em constante ampliação e utilização; é uma escrita de referência para os alunos. Explore ao máximo o material.

A importância do lúdico no desenvolvimento da a linguagem

Vygostsky

A evolução da leitura e da escrita, está naturalmente ligada ao processo de evolução expressiva e criativa da criança, porém este processo pode ser facilitado pelo educador por meio de atividades lúdicas, que servirão de apoio ao desenvolvimento da linguagem falada e ao processo de aquisição da linguagem escrita.

Jogar e brincar são atividades que, se bem orientadas, certamente contribuirão para o desenvolvimento da psicomotricidade no contexto do processo escolar.

O brincar ensina a criança a lidar com as emoções. Por meio da brincadeira, a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. Portanto, o educador deve facilitar a aprendizagem utilizando atividades lúdicas que criem um ambiente alfabetizador a fim de favorecer o processo de aquisição de autonomia na hora do aprendizado.

As atividades lúdicas, quando bem direcionadas, trazem benefícios que proporcionam saúde física, mental, social e intelectual à criança, ao adolescente e até mesmo ao adulto.

A importância do desenvolvimento da linguagem oral

 Que relação a linguagem oral tem com o desenvolvimento da leitura e da escrita?

 A fala é o principal instrumento de comunicação das crianças com os professores e os colegas. Hoje, compreende-se que todos precisam saber se expressar e usar a linguagem em variadas situações comunicativas: conversas, entrevistas, seminários, ao telefone, entre tantas outras. Para desenvolver a comunicação oral desde cedo, é importante diversificar os assuntos tratados em sala de aula.

O grupo pode discutir uma peça de teatro, um filme, um fato recente ou até um texto científico. A importância do desenvolvimento da linguagem oral não se limita a questões ligadas aos relacionamentos sociais, como aprender a se comunicar, a expressar suas ideias, pensamentos e dúvidas. É fundamental também para o desenvolvimento cognitivo (Piaget), ligado ao aprendizado da escrita e da leitura.

Por meio de um trabalho de desenvolvimento da oralidade, as crianças aprendem a distinção entre linguagem oral e escrita (quando percebem que o que está sendo lido não é exatamente igual ao que está sendo contado), permitindo organizarem o pensamento e a linguagem, e ampliarem o vocabulário, aprendendo a explicar, justificar, opinar e argumentar para defender seus pontos de vista.

O trabalho com a linguagem oral é fundamental também como preparação para a produção de textos, pois, mesmo no momento em que as crianças não escrevem convencionalmente, elas podem produzir textos oralmente trabalhando a organização de ideias, a topicalização dos fatos, a coerência, a organização discursiva dos textos.

Dessa forma, percebe-se que o trabalho com a linguagem oral é pré-requisito fundamental, devendo estar presente em todas as aulas.

O desenvolvimento da linguagem escrita

 A construção da escrita caracteriza-se por ser um processo que ocorre nas interações sociais vivenciadas pela criança, isto é, na interação com os adultos, a qual não somente vai dando sentido à escrita da própria criança, como também contribui para que ela se torne “sujeito”.

Dessa forma, a alfabetização como prática social precisa lidar com textos reais e com as reais necessidades de leitura e escrita, para que as crianças percebam a função social de tal aprendizado e assim estabeleçam um diálogo com o mundo.

A aprendizagem do uso da escrita, na escola, torna-se um aprendizado a mais: ser capaz de assumir sua palavra na interação com interlocutores que reconhece e com quem deseja interagir para atingir objetivos e satisfazer desejos e necessidades de comunicação.

Portanto, é fundamental que, no processo de alfabetização, as crianças saibam as funções sociais e as finalidades da leitura e da escrita; precisam saber para que se aprende a escrever e a ler. Só compreendendo e praticando esse exercício é que a alfabetização terá sentido.

Que tipo de letras se deve usar na alfabetização?

A proposta de alfabetização e letramento deve naturalmente adequar-se às exigências da realidade atual. Nessa realidade, a letra de imprensa (Conhecida como letra de Caixa alta) está presente em todos os momentos da vida de crianças e adultos: nos livros, na televisão, nas revistas, nos jornais, nas embalagens, nos rótulos, no teclado do computador. Sendo assim, fica claro o papel social fundamental da letra de imprensa na alfabetização.

Começar a alfabetização com letra de imprensa maiúscula é uma tentativa de respeitar a sequência do desenvolvimento visual e motor da criança. Esse tipo de letra, por ter um traçado mais simples, possibilita uma ampliação de tempo para pensar sobre a escrita dos diversos tipos de texto, das palavras e das letras que devem ser usadas para representar os sons.

Algumas observações importantes em relação às letras:

  • Letra de imprensa minúscula ou script

É importante esclarecermos que essa letra é apenas para leitura, nunca para escrita. É importante que você esteja atento, pois, como algumas letras e também números apresentam formas semelhantes, diferenciando-se apenas pela posição espacial (b/d/p/q/g/6/9, u/n), algumas crianças confundem o fonema correspondente na hora de ler (dola/bola).

  • Letra cursiva maiúscula e minúscula

A letra cursiva tem este nome por seu traçado obedecer a um curso, uma continuidade. É uma letra basicamente escolar, ou seja, usada predominantemente na escola. É importante que os alunos a conheçam para ler e, se possível, escrever. Mas algumas crianças não o conseguem, principalmente aquelas com Necessidades Educativas Especiais (NEEs). Por ela não ser encontrada nos escritos diários (jornais, revistas, livros, outdoor, computador etc.), seu uso exclusivo em sala de aula dificulta a leitura geral dos alunos.

Mesmo assim, é importante que a criança aprenda o traçado correto desse tipo de letra e use a letra maiúscula com propriedade. Acima de tudo, seja qual for a letra usada, o essencial é que seja legível.

Consciência fonológica e seu desenvolvimento

O que é consciência fonológica? Como ela se desenvolve? Qual é sua importância para a alfabetização?

A consciência fonológica pode ser definida como a habilidade de manipular a estrutura sonora das palavras, desde a substituição de determinado som até sua segmentação em unidades menores.

É uma capacidade cognitiva a ser desenvolvida, uma vez que contribui para o processo de aquisição da leitura e da escrita. Sua importância está ligada à compreensão do princípio alfabético e ao desenvolvimento de habilidades, como o reconhecimento de sílabas e fonemas numa palavra.

Diversas formas linguísticas com as quais uma criança tem contato contribuem para a formação de sua consciência fonológica, dentre as quais se destacam músicas, cantigas de roda, poesias, parlendas, jogos orais e a própria fala.

É de suma importância no desenvolvimento da consciência fonológica o trabalho com rima e aliterações.

A rima é a identidade sonora que ocorre, geralmente, no final das palavras. Por exemplo, para rimar com sapato, a palavra deve terminar em ato; para rimar com café, a palavra precisa terminar somente em éA equivalência deve ser sonora e não necessariamente gráfica, ou seja, as palavras massa e caça rimam, pois os sons com que terminam são iguais, independentemente da forma ortográfica.

10 dicas de para iniciar o processo de alfabetização na Educação Infantil:

 1 – Musicalização para bebês – Faixa etária: a partir de 1 mês de idade. Esta é uma atividade essencial para os pequenos, ainda nos berçários. Cantar cantigas, músicas de acalento, colocar músicas gravadas em CD ou massagear o corpinho ao som de música relaxante.

2 – Contação de histórias – Faixa etária: 2 a 5 anos – Após a história, as crianças são convidadas a dramatizar os personagens da história, inventando novas falas, repetindo os diálogos que mais gostaram e modificando o seu final.

3 – A letra é? – Faixa etária: 2 a 5 anos – Com as crianças sentadas em círculo, a professora apanha de um saco surpresa, objetos conhecidos dos pequenos. Lápis, escova de cabelo, boneca, bola, pipa… Os pequenos, tendo a frente letras emborrachadas, de plástico ou madeira, são provocadas a apontar a primeira letra que compõe o nome de tal objeto.

4 – Quando falo isso, você lembra de? – Faixa etária: 3 a 5 anos – O professor fala a palavra Futebol e uma criança fala: Bola. Daí a professora retoma: Bola lembra? Parquinho. E parquinho lembra? Areia e assim busca-se o desenvolvimento do raciocínio lógico e significação das palavras.

5 – Bingo dos nomes – Faixa etária: 3 a 5 anos – Os alunos recebem uma placa com seu nome, separado por letras. O professor retira do saco letras do alfabeto. Na medida em que as letras saem, os alunos são convidados a colocar tampinhas com as referidas letras, em cima da placa com o seu nome.

6 – Dominó dos nomes dos colegas – Faixa etária: 2 a 5 anos – Feitos com caixas de leite e forrados com papel camurça, o dominó apresenta nomes e fotos dos colegas. Ao jogar, a criança aprende o nome dos colegas e também as letras que compõe seus nomes. Uma variação bem legal é trocar a foto por letras iniciais dos nomes dos colegas.

7 – Como é que se escreve? – Faixa etária: 4 a 5 anos – Após a contação de uma história, as crianças são provocadas a montar nomes dos personagens ou de objetos, buscando as letras em jornais e revistas. Em seguida vão procurar no texto do livro de história, uma frase onde esta palavra apareça e transcreve-la para uma folha e ilustre, buscando interpretar a escrita destacada.

8 – O nome é? – Faixa etária: 3 a 5 anos – As crianças saem, com o professor, nomeando partes significativas da escola. E colando plaquinhas com os seus respectivos nomes para sua identificação. Depois, com pranchetas, são provocadas a reescrever os nomes que reconheceram: PORTA, JANELA, ARMÁRIO dentre outros.

9 – Festival de poesia – Faixa etária: 3 a 5 anos – As crianças são convidadas a declamar pequenos poemas, selecionados pelo professor. Desta forma favorecemos a atenção, concentração e memória.

10 – Sequência de quadrinhos – Faixa etária: 2 a 5 anos – A professora disponibiliza uma sequência lógica e curta de quadrinhos (retirada de um gibi) e a criança refaz a cena, colocando-a em ordem sequencial crescente.

Fonte: Guia Infantil

Quando uma criança encontra uma sala de aula preparada de forma a despertar o interesse pela leitura, pela escrita e pelo manuseio do material didático, as chances de sucesso são maiores para todos. “Brincar com linguagem falada e com processo de aquisição da linguagem escrita, oferecer jogos, trabalhar com músicas, poemas, quadrinhos, imagens, obras de arte e atividades lúdicas, quando bem orientadas, certamente contribuirão para que o desenvolvimento do processo da alfabetização seja bem-sucedido e alcance os objetivos desejados.

Artigo Prof Marcos L Souza – Pedagogo – Psicopedagogo – Historiador – Escritor – Pesquisador

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOLZAN, Doris Pires Vargas. Alfabetização: Refletindo sobre o que a criança pensa a respeito de ler e escrever. Revista do Professor/84. Out a Dez, 2005. Ano XXI. Disponível em: http://www.revistadoprofessor.com.br/system/biblioteca/materias/alfab.pdf Acesso em: 10 set. 2010.

PAZ, Erica Rodrigues; MARIOTTI , Aurora Joly Penna; KNETSCH , Maira Ortiz. Leitura na Educação Infantil. 23, out. 2006. Disponível em: http://www.unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/4mostra/pdfs/533.pdf Acesso em: 28 set. 2010.

PICCOLI, Luciana. Prática pedagógica nos processos de alfabetização e de letramento: análises a partir dos campos da sociologia da linguagem [manuscrito]/ Luciana Piccoli, orientadora: Maria Helena Degani Veit. –Porto Alegre, 2009. 207 f.

SCARPA, Regina. Alfabetizar na Educação Infantil. Pode? Revista Nova Escola.    Ed.      189.     Fev.                        2006.        Disponível  em: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/alfabetizar- educacao-infantil-pode-422868.shtml Acesso em: 8 set. 2010.

SOARES, Magda. Letramento: Um Tema de Três Gêneros- 2 ed, Belo Horizonte: Autêntica, 2001.128 p.

SOARES, Magda. Oralidade, alfabetização e letramento. Revista Pátio Educação Infantil -Ano VII-N°20. Jul/Out. 2009. Disponível em: http://falandodospequenos.blogspot.com/2010/04/alfabetizacao-e-letramento- na-educacao.html Acesso em: 8 set. 2010.

VICTORA, Ceres Gomes (ORG.) Pesquisa Qualitativa em Saúde: Uma Introdução ao Tema. Porto Alegre: TOMO Editorial, 2000.

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