Como estimular a autonomia das crianças na educação infantil?


Como estimular a autonomia das crianças na educação infantil: Incentivar a autonomia é fundamental para o desenvolvimento e o desempenho cognitivo da criança, além de ser primordial para o desenvolvimento de outros aspectos como o social, o desenvolvimento do caráter, da confiança etc.

O estimulo e o incentivo não quer dizer que a criança deve tomar decisões e fazer escolhas por conta própria. “Esse estímulo desde bebê é extremamente essencial e deve continuar também na escola em se tratando da Educação infantil. Para um desenvolvimento psicológico saudável é necessário que a criança interaja com o ambiente e que este o desafie, isto é: propor à criança situações que estimulem a busca ativa por soluções”, não esquecendo nunca a importância do mediador considerando o papel fundamental do mesmo que é promover ideias e estabelecer uma ponte de interligação do concreto para o abstrato, utilizando meios para tornar o aprendizado muito mais prazeroso para a criança. Isso quer dizer que o mediador deve estar ao lado da criança, orientando no que for possível, incentivando a realização de tarefas e propondo novos desafios, sempre permitindo que ela supere seus limites e explore o ambiente, dentro do que for seguro.

Como estimular a autonomia das crianças na educação infantil?

1 – Criando um ambiente sócio afetivo

Para favorecer a autonomia, as relações de cooperação são fundamentais. Portanto, o ambiente deve inspirar, desde cedo, o exercício do respeito mútuo, a discussão de regras e a resolução não violenta dos conflitos diários. Para isso, é preciso garantir o espaço para as crianças se expressarem sem, contudo, permitir atitudes que firam o princípio do respeito (bater, empurrar, morder etc.), mas sim as incentivando a mostrar o que sentem por meio das palavras.

2 – Criando o estímulo à investigação

A criança é naturalmente curiosa e deseja conhecer cada vez mais as coisas e as pessoas. Infelizmente, muitas vezes, essa curiosidade não os acompanha durante seu crescimento – uma queixa muito presente na fala dos professores de Ensino Fundamental e Médio é o fato dos alunos não se interessarem por nada. Mas o que acontece com aquela sede por descobrir os mistérios de tudo? Certamente a explicação está em como se trabalha com o conhecimento desde a Educação Infantil. Atrair o interesse das crianças pressupõe observar o que elas fazem espontaneamente, pedir sua colaboração com ideias a respeito do que querem aprender, apresentar propostas instigantes que contemplem os diferentes tipos de conhecimento (físico, social e lógico-matemático). Dar oportunidades para os pequenos fazerem escolhas também é um incentivo ao raciocínio. Além disso, deixe de lado perguntas que atraem respostas fechadas – exemplo: “Por quê?” “Porque não”. Em vez disso, prefira perguntas com final aberto e incentive os alunos a se questionarem uns aos outros – exemplo: “O quê?”, “Como?”, “Qual?”. Durante as atividades também é válido instigá-los com indagações do tipo “O que você fez?”, “Como você conseguiu?”, “Como descobriu?” e “Alguém fez diferente?”, uma vez que a busca e a organização dessas respostas favorecem a novas tomadas de consciência.

3 – Tempo adequado

Já perceberam que no planejamento das atividades, na maioria das vezes, a previsão de duração delas leva mais em consideração o que o professor pretende desenvolver durante o dia do que propriamente o tempo da criança? Muitas vezes, justamente quando estão empolgados com a atividade, os pequenos ouvem da professora: “Agora é hora de parar”. A sugestão é permitir um tempo para eles investigarem e se envolverem profundamente.

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4 – Registros sistemáticos

Observar os pequenos com olhos de pesquisador permite ao docente avaliar as regularidades e as relações estabelecidas por eles. No entanto, isso demanda uma sistematização nos registros. Mas atenção: alguns modelos de fichas de avaliação engessam e reduzem o desenvolvimento infantil a critérios simplistas que não retratam a criança. Esses princípios que devem nortear a Educação voltada para a construção da autonomia, por mais que para alguns pareçam óbvios, não foram considerados no processo de formação da maioria de nós – tanto escolar, como familiar. Isso exige de nós um esforço ainda maior na adoção de práticas e posturas nem sempre presentes em nossa experiência como aluno. Toda mudança gera dúvidas e receios, porém sabemos que é inevitável negar tal necessidade.

5) – Estabelecendo e aplicando rotinas

Ter hora certa para comer, fazer tarefas e brincar ajuda a criança a sentir-se segura para executar os afazeres por conta própria. No decorrer do tempo, ela se apropria dessa rotina e passa a fazer aquilo sozinha. Uma das dicas superimportantes dentro destas atividades, é sempre utilizar o lúdico como por exemplo, músicas ou brincadeiras que sugiram a hora de cada rotina, para que a criança seja estimulada de forma adequada, não prejudicando o aprendizado da mesma, tanto pelo excesso como pelas responsabilidades em se completar tais atividades, lembrando sempre que, cada criança se desenvolve de uma maneira, cada criança tem seu próprio ritmo, melodia e harmonia.

6) – Ofereça inspiração

Crianças tendem a imitar modelos, por isso, sempre ofereça boas inspirações aos pequenos. Sabemos o quão é importante o incentivo à leitura desde muito cedo, por isso a utilização de histórias contadas ou cantadas com o uso de personagens adequados, irá estimular expressões e desenvolver habilidades e comportamentos a serem imitados pela criança.

7) – Respeite os limites de cada criança

Nós educadores mediadores, não devemos atribuir responsabilidades aos nossos alunos que não sejam compatíveis com a idade deles. Isso pode colocá-los em risco ou gerar uma frustração maior do que podem lidar, acarretando problemas e transtornos que podem desestimular o aprendizado.

8) – Utilize palavras de incentivo

A criança deve ser sempre incentivada, mesmo que não consiga realizar algo, pois assim buscará sempre o seu melhor aprendendo a lidar com novos desafios, superar limites e resolver problemas ou situações.

9) – Desenvolvendo a autonomia intelectual

É importante que haja um ambiente harmonioso, onde a criança possa desenvolver seu potencial como leitor, sem imposições, castigos, desconfortos.  Deve ser uma experiência positiva, que a estimule a frequentar e a participar de projetos e atividades de aprendizagem que contribuam para sua formação crítica e social.

10) – Desenvolvendo a autoconfiança

No processo do desenvolvimento infantil, as relações têm um papel essencial e, assim, o afeto é um ingrediente indispensável! Desta forma, é importante que a criança se sinta amada e protegida, da mesma forma que aprenda a lidar com limites e frustrações. Como já dissemos, a criança se depara com muitas novidades, nosso papel como mediador é justamente auxiliá-la, demonstrando o que é esperado dela, fornecendo orientações do que deve fazer e como fazer, além daquilo que não é esperado ou permitido. A autoconfiança é um aprendizado que se desenvolve ao longo da nossa vida, à medida que percebemos que podemos conseguir aquilo que queremos, a partir dos nossos próprios atos e esforços e, também, à medida que vamos sendo valorizados ou encorajados, por outras pessoas (e por nós mesmos), em nossas realizações.

 


Como estimular a autonomia das crianças na educação infantil?

Texto Prof Marcos L Souza

Psicopedagogo – Historiador – Escritor – Pesquisador.



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