Textos para trabalhar coesão e coerência textual

Confira nesta postagem Textos para trabalhar coesão e coerência textual.

Coesão e a Coerência são mecanismos fundamentais na construção textual.

Para que um texto seja eficaz na transmissão da sua mensagem é essencial que faça sentido para o leitor.

Além disso, deve ser harmonioso, de forma a que a mensagem flua de forma segura, natural e agradável aos ouvidos.

Texto: 01

Em Salvador, as gangues dos meninos de rua – que roubam e auxiliam traficantes para andar com roupa e tênis da moda – sabem que esse guarda-roupa não combina com a imundície dos locais onde dormem, chamados mocós em quase todo o país.

Contornam a dificuldade de banho nos chafarizes das praças ou se valem da boa vontade de grupos religiosos e donos de lanchonetes que os deixam usar os chuveiros.

Limpos, fortes e bem vestidos, não passam, porém, por garotos de classe média, como pretendem. São traídos por visíveis erupções de pele no rosto e nos braços, provocadas por constantes intoxicações. É esse o resultado da inalação da cola de sapateiro, do consumo de drogas mais pesadas e da alimentação suspeita que obtêm nas ruas.

Jornal O Estado de São Paulo. Mar 1992. In: FARACO & MOURA. Linguagem nova. São Paulo: Ática. V. 8, p. 53.


Texto: 02 – O QUE É SER GENTE DIREITA?

Dificilmente alguém será aclamado direito por todos os seres humanos, pois cada um pensa de uma maneira e tem uma concepção formada do que é certo ou errado.

A pessoa ser considerada direita pelos outros é muito relativo; por exemplo: se você roubasse algum bem de valor e desse a seu pai, você poderia ser considerado um bom filho; todavia, perante a sociedade, essa pessoa seria um ladrão.

Gente direita é alguém que diante do seu modo de pensar, da sua maneira de agir, de sua criação, do lugar em que habita, tem na sua consciência que aquilo que está fazendo é certo.

(Texto da aluna Ana Raquel Sá da Nóbrega, matrícula 94110750, turma 2560)


Textos 03: PODERÍAMOS VIVER SEM CHUVA

À primeira vista, parece que a chuva devia cair sempre à noite, porque é precisamente quando mais benefícios traz e menos prejudica nossos afazeres e divertimentos; mas quer ela cais em dias de festa ou de noite, enquanto dormimos tranquilamente, a chuva é sempre necessária.

Seus efeitos consistem em penetrar na terra e ser absorvida pelas raízes das plantas, que dela necessitam para viver. Se não houvesse chuva, a vida seria possível no mar. Nas regiões onde não há chuva, não há também vida, e noutras onde a chuva escasseia ou só cai certas estações do ano, as populações esperam-na e desejam-na, e até há costume de elevar preces ao céu para que a envie em tempo próprio.

Devemos ver na chuva, por consequência, um agente que limpa e purifica o ar, alimenta a vida vegetal, da qual depende a nossa e nos fornece a água de que necessitamos durante todo o ano, nas regiões onde chove bastante.


Textos 04: A incapacidade de ser verdadeiro

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.

Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.

Texto extraído de: ANDRADE, Carlos Drummond de. A cor de cada um. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1998.


Textos 05: Maneiras de amar – por Drummond

O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vâo o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não”, respondeu “estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso e gostava”.


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