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Apoio psicológico pode ajudar vítimas de traumas como o do massacre em Suzano


Apoio psicológico pode ajudar vítimas de traumas como o do massacre em Suzano – Estresse pós-traumático pode causar ansiedade, síndrome do pânico e crises de angústia. Assassinos atiraram em alunos e funcionários da Escola Estadual Raul Brasil.

Sobreviver a um trauma como o do massacre de Suzano (SP) pode deixar sequelas emocionais, mas é possível passar pela dor com a ajuda de especialistas, familiares e a comunidade escolar.

O estresse pós-traumático é a reação mais comum em situações como esta, segundo especialistas, e pode desencadear uma série de problemas como ansiedade, síndrome do pânico e crises de angústia.

G1 ouviu seis especialistas na área. Segundo eles, os principais pontos para ajudar a superar o trauma são:

  • comunidade escolar deve fazer um trabalho coletivo com os estudantes para que eles falem sobre o que estão sentindo
  • Familiares devem acolher e ficarem atentos a sinais como mudança de comportamento, insônia, crises de angústia (leia mais abaixo e veja vídeo da dra. Ana Escobar)
  • Não force ninguém a falar, mas esteja aberto para escutar, caso seja necessário
  • É preciso tempo para que os estudantes assimilem o que aconteceu
  • Cada um vai assimilar a dor de uma forma diferente

Confira abaixo o que disseram os especialistas:

  • Ana Escobar, médica
  • Daniel Martins de Barros, psiquiatra
  • Luciana Szymanski, professora da pós-graduação em psicologia da educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
  • Marianne Bonilha, psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e responsável pelo ambulatório de violência
  • Sandra Scivoletto, professora de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP
  • Vera Iaconelli, psicóloga

Para Daniel Martins de Barros, psiquiatra, o apoio é fundamental para dar segurança e amparo. “As pessoas envolvidas têm que saber que, se elas quiserem, terão ajuda. Não é impor. A pessoa tem que se sentir segura, acolhida e amparada”, disse.

Isso porque, de acordo com a médica Ana Escobar, qualquer pessoa que passe por um trauma pode desenvolver a síndrome do estresse pós-traumático.

Ele ressalta que é importante retomar a normalidade da vida. “[Temos que mostrar que] A escola é segura. Porque, se não, a gente vai alimentar um medo que não se justifica. Isso é a exceção da exceção, raríssimo, um evento pontual. Temos que mostrar para crianças, na família e na escola que isso aconteceu, que vamos lamentar, mas vamos continuar vivendo.”

A psicóloga Vera Iaconelli chama a atenção para a forma como cada um vai lidar com o acontecimento. “Cada criança vai viver esta experiência de um jeito diferente. Tem coisas como culpa, medo fantasias onipotentes de que poderia ser salvado alguém.”

Para ela, os primeiros dias após a tragédia devem ser para a comunidade escolar falar sobre o que houve. “São dias para sentar e conversar sobre bullying, estar na escola, redes virtuais. Vamos fazer desta tragédia uma coisa produtiva, pensar o lugar da escola junto com a criança. É para falar, chamar os pais”, diz.

Marianne Bonilha, psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e responsável pelo ambulatório de violência, esclarece que, além dos atendimentos individuais, é necessário também haver um trabalho coletivo com a comunidade escolar.

“Psicólogos podem reunir todos os envolvidos para falar sobre o ocorrido. Não adianta fingir que nada ocorreu e tentar retomar a rotina do colégio”, diz.
“É preciso elaborar um plano de ação com o grupo e fazer uma reflexão social”, completa.

A especialista ressalta que é preciso respeitar os limites de cada uma das testemunhas. É possível que, de imediato, algumas não consigam falar sobre o que viram.

“É tudo tão grotesco e insuportável, uma cena tão difícil, que é necessário um tempo para que os envolvidos elaborem o que viram. Não é correto impor um trabalho psicológico a todos. O essencial é oferecer o espaço de assistência – informar a todos quais os canais de ajuda que estão disponíveis”, afirma.

A psicóloga compara a situação ao contexto de guerra, em que é imprescindível haver um pronto-atendimento a quem necessitar.

Sinais de trauma
A professora Luciana Szymanski, da pós-graduação em psicologia da educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também destaca a importância dos espaços de escuta.

“É necessário falar sobre morte com eles. Os professores precisam se preparar para abordar o assunto. Suportar o luto vai demandar esforço de toda a comunidade escolar. O sofrimento precisa ser ouvido – não dá para negligenciar o que essas crianças e adolescentes estão sentindo”, diz.

A médica Ana Escobar diz que qualquer pessoa que passe por um trauma, seja adolescente ou adulto, pode estar sujeito a desenvolver a síndrome do estresse pós-traumático, que é reviver as emoções do acontecimento, sem ter controle sobre isso.

“Começa com uma crise de ansiedade muito grande, como se estivessem revivendo tudo. Pode dar muito medo, fobia, até síndrome do pânico com suor frio, sensação de náusea, vômito, coração que acelera, falta de apetite, distúrbio de sono, irritabilidade”, diz.

Segundo especialistas, aqueles que não conseguirem elaborar o que ocorreu podem mudar o comportamento e, por isso, é preciso ficar atento aos sinais.

Veja os principais sintomas do trauma:

  • insônia
  • medo
  • suor frio
  • sensação de náusea e vômito
  • pesadelos recorrentes
  • crises de angústia
  • crises de pânico
  • ansiedade frequente
  • distúrbios psicossomáticos

Para Sandra Scivoletto, professora de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, após um trauma grande a pessoa muda o seu comportamento para um estado de alerta constante.

“É um estresse intenso e gera um estado de hipervigilia: a pessoa não consegue relaxar, tem dificuldade para dormir e isso vai desgastando a pessoa”, explica.

Ela também ressalta a importância do espaço para que todos possam falar dos que viveram e tratar do trauma coletivo: “Para eles dividirem com outras pessoas os medos e angústias e para ajudar nesse processo de cicatrização desse trauma”.

Fonte: https://g1.globo.com/



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