Teorias de Aquisição da linguagem

Teorias de Aquisição da linguagem: Artigo enviado pelo nosso parceiro “Professor Marcos L Souza – Pedagogo – Psicopedagogo – Educador musical – Historiador.

Teorias de Aquisição da linguagem

As primeiras palavras proferidas por um bebê – ou os primeiros gestos, no caso dos bebês surdos –, quando este aprende a falar, são normalmente motivo de muito orgulho para pais e avós, que reconhecem o importante evento como um marco fundamental no desenvolvimento cognitivo e social da criança. Ao proferir sua primeira palavra com significado, seja ela “mama”, “papa” ou “au-au”, a criança dá os primeiros passos no sentido de se tornar membro ativo de uma sociedade que atribui enorme valor à linguagem como instrumento de expressão do pensamento e de comunicação.

A natureza do desenvolvimento linguístico da criança tem sido motivo de interesse dos estudiosos da linguagem e da cognição humana há bastante tempo. Os primeiros estudos realizados de forma mais sistemática de que se tem notícia – os chamados “estudos de diários” ou “biografias de bebês” – caracterizavam-se por registros detalhados em diários, normalmente feitos pelos pais, de modificações na fala da criança ao longo de um determinado período de tempo (cf. INGRAM, 1989).

Embora tivessem como foco central a análise do desenvolvimento cognitivo geral e não linguístico da criança, os estudos de diários representam uma grande contribuição para as pesquisas em aquisição da linguagem, pois formam um banco de dados do desenvolvimento da linguagem em crianças em períodos longitudinais, podendo, ainda hoje, servir para orientar estudos, bem como complementar pesquisas na área. No entanto, é importante notar que, com poucas exceções (por exemplo, Leopold (1939-1949)), infelizmente, não havia na época preocupação metodológica com a coleta de dados e a maior parte dos pais/pesquisadores fizeram uso de observações incompletas ou inconsistentes para registrar o que ouviam ou, muitas vezes, acreditavam ter ouvido.

O período que sucedeu os estudos de diários, chamado de “estudos de extensas amostras” de linguagem (cf. INGRAM, 1989) é caracterizado por uma preocupação mais específica com o desenvolvimento linguístico da criança. Nessa fase, além da continuidade dos estudos de diários, observa-se um crescimento no desenvolvimento de pesquisas envolvendo extensas amostras de linguagem. Essa mudança decorre principalmente das pesquisas realizadas no campo da Psicologia, especialmente a partir de uma abordagem comportamentalista, e o objetivo passa a ser observar padrões de comportamento de sujeitos em larga escala. Assim, a metodologia adotada passa a envolver coletas de dados extensivas realizadas a partir de um grande número de sujeitos. Em oposição aos estudos de diários, que visavam o acompanhamento de um mesmo indivíduo por um longo período de tempo (de forma longitudinal), os estudos envolvendo um número extensivo de sujeitos foca em aspectos pontuais da aquisição, em momentos específicos do processo, em crianças de diferentes idades (de forma transversal). A principal vantagem desses estudos em relação à utilização de diários está relacionada com a identificação de padrões linguísticos específicos, que possibilitam análises bem mais detalhadas.

No começo dos anos 60, novas descobertas teóricas inspiraram os pesquisadores a olharem para o fenômeno da aquisição da linguagem de uma forma cada vez mais sistemática, orientada para a busca de padrões linguísticos na fala das crianças. A publicação de Syntactic Structures (CHOMSKY, 1957), e os debates travados entre Skinner e Chomsky (SKINNER, 1957; CHOMSKY, 1959) e entre Piaget e Chomsky (PIATTELLI-PALMARINI, 1980) desencadearam uma nova perspectiva de investigação, na qual se passou a priorizar a análise do desenvolvimento da aquisição da linguagem da criança a partir de coletas de dados em pesquisas realizadas por longos períodos, em intervalos pré-definidos. Por exemplo, a criança era visitada semanalmente por um experimentador, que filma ou grava a sua interação com um familiar em um local conhecido da criança. As interações são espontâneas e a criança é estimulada a falar a partir de atividades envolvendo seus próprios brinquedos. A linguagem produzida pela criança nessas condições era tomada, então, como uma amostra de sua produção num dado momento de seu desenvolvimento. Ao registrar o processo continuamente, o pesquisador tem condições de identificar um padrão no desenvolvimento da linguagem daquela criança. Esse processo passa, então, a ser comparado com o de outras crianças adquirindo a mesma língua ou outras línguas, observando-se os mesmos processos de coleta de dados.

Além das coletas longitudinais, os estudos de aquisição da linguagem têm envolvido, também, a adoção de procedimentos metodológicos mais controlados, como a técnica de produção eliciada de dados quando, por exemplo, a criança é solicitada a repetir uma frase dita pelo pesquisador, tarefas envolvendo julgamentos de gramaticalidade e de identificação e/ou manipulação de imagens ou objetos a partir de frases proferidas pelo pesquisador. Através do emprego de técnicas experimentais controladas, o investigador tem condições de criar contextos linguísticos que possibilitam verificar o nível de compreensão de certas estruturas das palavras e frases pela criança, bem como provocar a produção específica que estão em estudo. Observa-se uma sofisticação metodológica nas formas de acessar o conhecimento da linguagem e essa sofisticação decorre justamente da busca constante de explicações para os fatos linguísticos (CRAIN e THORNTON, 1998).

É enorme o progresso que tem sido feito nos últimos cinquenta anos e hoje sabemos muito mais sobre o que as crianças fazem quando adquirem uma língua. Temos hoje formas cada vez mais sofisticadas de testar o conhecimento linguístico e não linguístico disponível às crianças desde a mais tenra idade. Entretanto, um aspecto importante e, ao mesmo tempo, desafiador dos estudos que investigam o desenvolvimento linguístico da criança é que não existe uma teoria ou abordagem única que seja capaz de fornecer explicações consistentes para todos os aspectos do desenvolvimento linguístico da criança. Ao contrário, várias são as perspectivas teóricas adotadas e elas contribuem, em alguma medida, para uma melhor compreensão de como se dá esse impressionante processo.

É justamente nesse contexto que se insere a presente publicação, cujo objetivo é apresentar, a alunos de graduação em Letras e áreas afins, as principais características de algumas das mais importantes abordagens teóricas que têm norteado as pesquisas em aquisição da linguagem.

O primeiro enfoque a ser considerado é discutido nesta primeira parte. Skinner (1957) e seus antecessores viam a aprendizagem da linguagem como um processo passivo de imitação da fala que as crianças ouvem dos adultos, acompanhado de reforço positivo quando existe acerto e de reforço negativo sempre que houver erro. O ambiente desempenha um papel fundamental no processo de aquisição, já que a criança, por ela mesma, não é considerada capaz de desenvolver a linguagem, dependendo de fatores externos para que esse desenvolvimento aconteça.

Os pressupostos básicos do Paradigma gerativista de aquisição da linguagem são abordados através dos elementos básicos que configuram os estudos realizados a partir do pressuposto inatista de aquisição da linguagem, particularmente as pesquisas realizadas com base na teoria de Chomsky (1957, 1981, 1986, entre outros) e de outros teóricos gerativistas. Segundo essa abordagem, os seres humanos são dotados, desde o seu nascimento, de uma disposição inata, específica para a linguagem, denominada de Gramática Universal. A Gramática Universal, que consiste basicamente de um conjunto de restrições linguísticas capazes de determinar as formas que as línguas humanas podem possuir, é, então, responsável por guiar a aquisição de uma ou mais línguas pela criança através de sua interação com o ambiente linguístico no qual está inserida.

De acordo com essa visão, a existência de tal mecanismo explica o fato de a criança, com base em tão pouca evidência, ser capaz de adquirir uma língua altamente complexa de forma tão rápida.

A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA PERSPECTIVA BEHAVIORISTA

Breve histórico

 O termo ‘behaviorismo’ é oriundo da língua inglesa, na qual a palavra behavior significa comportamento.

 O Behaviorismo, também conhecido na literatura como Comportamentalismo, é uma abordagem psicológica de estudo do comportamento animal humano e não humano surgida nos meios acadêmicos dos Estados Unidos no começo do século XX, que dominou a maior parte da psicologia norte-americana entre os anos de 1920 e 1960. John B. Watson (1878-1958) é considerado o principal fundador da escola behaviorista. Suas ideias, que passaram a receber maior atenção na comunidade acadêmica a partir de 1913, tomaram como base os estudos desenvolvidos pelo cientista russo Ivan P. Pavlov (1849-1936) e tornaram-se conhecidas como Behaviorismo Metodológico. Outro importante teórico desse paradigma foi o psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), cuja abordagem é denominada ‘Behaviorismo Radical’. Como veremos mais adiante, Skinner foi responsável por algumas ampliações importantes nesse enfoque psicológico e permaneceu sendo o teórico behaviorista mais conhecido desde a década de 1930 até seu falecimento, em 1990.

De acordo com os preceitos do behaviorismo, a fim de que seja considerada uma ciência empírica, a Psicologia deve conceber como seu objeto de estudo somente aquilo que pode ser observado e descrito de forma rigorosa e objetiva. Nessa concepção, a análise de dados científicos deve dar-se a partir da observação objetiva do comportamento dos organismos ao invés de tomar por base o funcionamento de sua mente, uma vez que todo e qualquer tipo de comportamento – humano e não humano – pode e deve ser descrito e explicado sem qualquer referência a eventos mentais ou processos psicológicos internos. Isso significa dizer que não há qualquer espaço na teoria científica para a introspecção e que construtos teóricos como mente razão, consciência, ideias, conhecimento e pensamento não possuem qualquer utilidade para a Psicologia científica. Segundo Skinner, por exemplo, é equivocado dizer que um indivíduo que fala português possua qualquer tipo de “conhecimento de português”; o que se pode afirmar é que esse indivíduo aprendeu um conjunto de comportamentos que permitem a ele responder de forma apropriada em situações de interação realizadas em português.

No curso do desenvolvimento da teoria psicológica, termos mentais ou conceitos abstratos utilizados para descrever ou explicar comportamentos devem ser eliminados e substituídos por termos comportamentais, dado que propriedades da mente – se é que elas existem – estão intrinsecamente fora do alcance da ciência, o que torna, portanto, tal tipo de investigação completamente sem sentido.

Mas, o que é o comportamento, foco primordial dos estudos behavioristas? Para esse grupo de teóricos, o comportamento é a resposta dada por um determinado organismo a algum fator externo que o estimule, sendo que tal resposta pode sempre ser observada, descrita e quantificada. É possível, também, observar e quantificar com rigor os fatores externos (estímulos ambientais) que dão origem a esse comportamento, ou seja, os estímulos, bem como os fatos que o sucedem ou que resultam desse comportamento. Partindo da crença de que todos os tipos de aprendizagem são hábitos que resultam da formação de associações entre estímulos e respostas – e reforços –, gerados na interação dos organismos com o meio no qual estão inseridos, os behavioristas se atêm somente aos comportamentos observáveis externamente. Segundo essa concepção, tais associações, por si só, podem oferecer as explicações científicas necessárias e suficientes para todo e qualquer comportamento tornando, portanto, desnecessária qualquer menção a possíveis pré-disposições inatas do ser humano. O ser humano, portanto, é concebido como uma espécie de ‘caixa preta’, cuja natureza interior não pode ser analisada ou sequer levada em consideração pela teoria psicológica.

A PRIMEIRA FASE: O BEHAVIORISMO METODOLÓGICO

John B. Watson é considerado o principal fundador da escola behaviorista. É importante observar, entretanto, que as teses centrais do behaviorismo – (a) que os estudos psicológicos devem priorizar a análise do papel do ambiente na aprendizagem e desenvolvimento humano, ao invés de supostos conteúdos da consciência humana, e (b) que os princípios que governam o comportamento dos seres humanos são essencialmente idênticos àqueles que regem o comportamento de outros animais – podem ser encontradas no trabalho de vários outros pesquisadores antes dele. O artigo intitulado Psychology as the behaviorist views it, de autoria de Watson e publicado a partir de uma palestra ministrada na Columbia University, em Nova York, em 1913, pode ser considerado o primeiro manifesto do movimento behaviorista, dessa forma aparecendo como um dos artigos mais influentes de todos os tempos na área da Psicologia e conferindo a Watson o título de ‘pai do behaviorismo’. Nesse polêmico trabalho, Watson atacou a definição de Psicologia como a ciência da mente e da consciência, concepção vigente na época, e defendeu com termos fortes que a Psicologia deveria ser vista como uma vertente da ciência empírica que tem por objetivo fundamental tentar prever e controlar todos os tipos de comportamento humano e animal. O autor criticou, ainda, a natureza exotérica da introspecção, método até então escolhido para a análise da consciência, normalmente realizado por um observador treinado sob certas condições controladas.

Dessa forma, ao rejeitar tanto a introspecção quanto o uso da consciência como um padrão interpretativo, Watson defendeu que os psicólogos deveriam adotar somente o comportamento observável como unidade de análise em seus estudos (WATSON, 1919). É importante enfatizar que tais ideias representaram uma ruptura substancial com relação às ideias defendidas pelos pesquisadores da época, de formação essencialmente estruturalista, que não somente se utilizavam do método de introspecção (ao invés da observação), mas também desconsideravam o valor de qualquer estudo do comportamento humano. Watson, por sua vez, estudou de que forma os organismos ajustam-se aos seus ambientes, mais especificamente, aos estímulos que os levam a produzirem suas respostas. Muito do trabalho de Watson foi comparativo, no sentido de que, em seus experimentos, o autor manipulava variáveis e observava mudanças no comportamento de animais.

Watson foi enormemente influenciado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov, que relatou o fenômeno conhecido por ‘condicionamento clássico’, em uma série de estudos sobre o sistema digestivo dos cachorros. Em seus experimentos, Pavlov (1927) inicialmente observou que, independentemente de qualquer tipo de condicionamento prévio, os cães normalmente salivam ao serem colocados diante de um alimento. A esse comportamento denominou primeiramente de ‘resposta natural’, mais tarde ‘resposta incondicionada’, dado que o ato de salivar nada mais é do que uma simples consequência da exposição do animal a um estímulo natural, também ‘incondicionado’3 – nesse caso, o alimento –. Pavlov, então, verificou que se fosse introduzido um estímulo4 qualquer, no caso, o toque de um sino associado à entrega do alimento ao cão, o animal se condicionaria a salivar mesmo sem a presença do alimento. Esse tipo de comportamento – a salivação em cães, por exemplo – passou a ser conhecido como ‘reflexo condicionado’, ou ‘resposta condicionada’, gerada por um ‘estímulo condicionador’, nesse caso em particular, o som do sino.

Pavlov generalizou os resultados obtidos em seus estudos sobre a salivação dos cachorros e passou a afirmar que tudo o que nós, seres humanos, aprendemos pode e deve ser explicado a partir do modo como os estímulos tanto internos quanto do ambiente externo nos levam a produzir respostas. Segundo o pesquisador, da mesma forma que os cachorros, os seres humanos também salivam ao presenciar um alimento – salivamos até mesmo ao vermos os pratos na mesa ou ao sentirmos o aroma da comida ou falarmos sobre ela –. Como vimos acima, esse modelo de aprendizagem passou a ser conhecido como ‘condicionamento clássico’. Para Pavlov, de forma semelhante aos animais, estamos sempre fazendo associações entre estímulos e respostas, repetindo comportamentos que são bem-sucedidos, um mecanismo que permite explicar por que razão reagimos de forma tão instintiva a determinados estímulos por nós anteriormente vivenciados.

Em seguida, Watson passou a adotar e adaptar as ideias de Pavlov aos seus estudos sobre o comportamento humano, na suposição de que não somente os seres humanos reagem a estímulos da mesma forma que os animais, mas também de que é possível condicionar a resposta de um animal ou

O termo ‘incondicionado’ refere-se à ideia de que o comportamento ocorre independentemente de haver qualquer intervenção intencional por parte do pesquisador com o objetivo de gerar um determinado comportamento. Nesse estudo, Pavlov chama a atenção para o fato de que o som é um ‘estímulo neutro’, uma vez que não é o__som que produz a reação do animal, mas sim o alimento, ou melhor, a expectativa de receber o alimento.

Em 1920, Watson publicou os resultados de seu mais famoso experimento sobre o condicionamento humano, o estudo sobre o “pequeno Albert”5. Nesse artigo, Watson relata uma situação de condicionamento que o pesquisador conseguiu causar em uma criança pequena, resultado da apresentação, repetidas vezes, de um coelho branco à criança, num contexto em que, além de ser exposta ao animal, a criança era também exposta a um som metálico muito forte. Após algum tempo, sempre que Albert via o coelho branco, a criança demonstrava medo do animal. O pesquisador relata, ainda, que o comportamento de medo demonstrado pela criança era semelhante quando apresentada a outros objetos brancos e peludos, como uma máscara de Papai Noel e o próprio cabelo branco de Watson.

A SEGUNDA FASE: O BEHAVIORISMO RADICAL

Atualmente, o behaviorismo é mais associado ao nome de B. F. Skinner, que construiu sua reputação ao testar as teorias de Watson em laboratório e formalizar alguns conceitos envolvidos nessas teorias. Os estudos desenvolvidos por Skinner o levaram a rejeitar a ênfase quase que exclusiva de Watson em reflexos e condicionamento. As pessoas respondem ao seu meio, dizia ele, mas elas também operam em seu ambiente a fim de produzirem certas consequências.

A metodologia desenvolvida por Skinner – o chamado ‘condicionamento operante’ – inclui os comportamentos que não estão diretamente associados a um estímulo específico. A fim de testar suas ideias, Skinner conduziu vários estudos envolvendo ratos de laboratório e pombos em um tipo de gaiola que passou a ser conhecida como Gaiola de Skinner ou Câmara Operante, como preferia chamá-la. A gaiola desenhada pelo idealizador do Behaviorismo Radical diferia das gaiolas comuns por possuir uma espécie de alavanca junto ao comedouro que poderia ser facilmente acionada pelo animal. O objetivo de Skinner era condicionar a frequência com que o animal tocava a alavanca, a partir de sua necessidade de receber comida. Assim, ao serem colocados em jaulas, os animais eram forçados a passar fome a fim de que o alimento pudesse ser visto como uma espécie de ‘reforço positivo’ a algum tipo de comportamento a ser aprendido, com base na ideia de que, ao ser privado de alguma coisa, o organismo reage de forma instintiva e tenta buscar uma forma de resolver seu problema. Em seu artigo de 1938, Skinner relata que, durante o tempo em que esteve preso, ao movimentar-se pela jaula, o pombo faminto, em algum momento, sem qualquer intenção, acaba tocando com o bico na alavanca, um dispositivo responsável por acionar um mecanismo de fornecimento de comida que dá condições para que o animal possa alimentar-se. Após uma série de tentativas, o pombo finalmente ‘aprende’ a associar o toque com o bico no dispositivo com o recebimento imediato da comida e passa a sempre acionar a alavanca quando sente fome. Skinner denominou o primeiro toque do pássaro no dispositivo de ‘operante livre’, uma vez que tal comportamento demonstrado pelo pombo é aleatório, no sentido de que o animal não possui uma intenção específica e o seu movimento não é uma resposta natural ao fato de o dispositivo estar presente na jaula. Depois de algumas tentativas, no entanto, a partir do momento em que o pássaro aprende a repetir a ação para obter o alimento, esse comportamento se torna um ‘operante condicionado’, ou ‘hábito’. Ao estímulo utilizado para produzir o comportamento desejado – no caso descrito acima, ao alimento – dá-se o nome de ‘reforçador’. O autor salienta que mais do que uma resposta puramente fisiológica, um operante é uma classe funcionalmente equivalente, embora estruturalmente distinta, de resposta.

A concepção de aprendizagem defendida por Skinner pode ser facilmente utilizada para descrever situações comuns em nosso dia-a-dia. Se um pai ou mãe – ou até mesmo um professor – cede aos apelos de uma criança que chora e teima a fim de conseguir algo que o adulto havia anteriormente proibido, a criança aprenderá que o seu comportamento insistente lhe garante sucesso e consequentemente passará a sempre agir dessa forma quando quiser algo. Ao contrário, se a criança não for recompensada pelos seus gritos e provocações, ela tenderá a abandonar esse comportamento e tentar outro tipo de reação a fim de atingir seu objetivo, uma vez que os indivíduos possuem a capacidade de se ajustarem ao ambiente em que vivem. Note-se que essa é uma das distinções mais claras entre as ideias de Skinner e as concepções de estímulo-resposta de muitos de seus predecessores. Para Watson, os indivíduos são completamente moldáveis pelo ambiente que os cerca. Em sua árdua defesa das ideias behavioristas, Watson chegou a afirmar que seria capaz de tornar um bebê recém-nascido em um adulto honesto ou em um marginal, somente através de estímulos condicionadores. Essa visão foi questionada por Skinner, que argumentou que nossa experiência de reforços é que determina nosso comportamento, uma vez que nossas ações nada mais são do que meras consequências das interações que estabelecemos com o meio em que vivemos.

A elucidação da noção de ‘reforço’ representou uma contribuição crucial de Skinner para a teoria behaviorista. O autor definiu reforço empiricamente: se foi experimentalmente observado que um certo elemento amplia o nível de resposta, esse elemento é denominado ‘reforçador’ para aquele organismo em particular, naquele dado momento. Comida, água, estimulação cerebral, sexo, contato social e drogas são reforçadores que foram utilizados nas pesquisas com animais. Os reforçadores podem ser positivos ou negativos: positivo quando é apresentado e negativo quando é retirado. A punição também é considerada um reforço negativo e é utilizada para suprimir um comportamento indesejado.

É importante notar que a ideia de reforço não se aplica somente ao estímulo físico (se você pedir para que lhe alcancem um copo de água, você será atendido), mas também por qualquer reforço social na forma de elogios e expressões de encorajamento (do tipo ótimo!, ou muito bem!) ou críticas (como por exemplo, você está errado! ou tente novamente!) e punições. Sob essa perspectiva, portanto, as experiências anteriores de comportamento verbal são fundamentais na escolha de se um comportamento deve ser novamente adotado ou não. Skinner utilizou a expressão ‘condicionamento verbal operante’ para nomear casos em que uma resposta verbal ocorre numa situação dada e é seguida por um reforçador, tornando-se, portanto, mais provável de ocorrer novamente na mesma situação.

Segundo Skinner, o comportamento dos indivíduos é, em larga medida, determinado também pelos tipos de consequências que suas ações obtiveram no passado. Por exemplo, se sua namorada lhe dá um beijo quando você lhe dá flores, você tenderá a dar-lhe flores quando desejar um beijo. Dessa forma, você estará agindo na expectativa de uma determinada recompensa. Como Watson, entretanto, Skinner negava à mente ou aos sentimentos qualquer papel na determinação do comportamento.

Afirma-se que o trabalho empírico de Skinner ampliou as pesquisas behavioristas de tentativa/erro tanto em termos conceituais – a noção de aprendizagem através de simples estímulo- resposta foi abandonada – quanto metodológicos – através do uso do ‘operante livre’, assim chamado devido ao fato de que agora era dada ao animal a possibilidade de responder ao estímulo dentro de seu ritmo ao invés de ser forçado a reagir a partir de procedimentos experimentais decididos pelo pesquisador –. Através de seu método de estudo, Skinner desenvolveu um trabalho experimental substancial sobre os efeitos de diferentes cronogramas de comportamentos e tipos de reforço nos níveis de respostas operantes dadas por ratos e pombos. Os estudos realizados no sentido de evidenciar que o condicionamento operante faz parte de todos os tipos de comportamentos apresentaram um nível de sofisticação considerável. Em seus muitos anos de pesquisa, Skinner atingiu um sucesso admirável no treinamento de animais para que desempenhassem respostas não esperadas, bem como para que emitissem um grande número de respostas e demonstrassem muitas regularidades em um nível puramente comportamental, o que deu muita credibilidade à sua análise conceitual.

Como afirmado anteriormente, os teóricos behavioristas rejeitam veementemente a existência de qualquer tipo de conhecimento inato, pois, segundo eles, o conhecimento – resultado do processo de aprendizagem – é produto da interação do organismo com o seu meio através de condicionamento estímulo-resposta-reforço. Em termos gerais, a aprendizagem estímulo-resposta-reforço ocorre da seguinte forma: um evento no ambiente (estímulo incondicionado) causa uma resposta incondicionada em um organismo que possua capacidade de aprendizagem; tal resposta é, então, seguida de outro evento que apele ao organismo, ou seja, a resposta do organismo é positivamente reforçada; caso a sequência estímulo-resposta-reforço positivo ocorra um número suficiente de vezes, o organismo aprenderá de que forma associar sua resposta ao estímulo através do reforço – isso irá, consequentemente, fazer com que o organismo sempre dê a mesma resposta quando confrontado com o mesmo estímulo e, dessa forma, a resposta tornar-se-á uma resposta condicionada.

As ideias behavioristas serviram de base para um tipo de terapia, conhecida como terapia comportamental, a partir da qual foram desenvolvidas técnicas de tratamento de crianças autistas (LOVAAS e NEWSOM, 1976) e de pacientes com esquizofrenia crônica (STAHL e LEITENBERG, 1976).

 É relevante citar que, na política, o behaviorismo refere-se a uma abordagem desenvolvida nos Estados Unidos durante as décadas de 50 e 60. Essa escola de pensamento representou um protesto contra certas práticas

À medida que Skinner passa a dedicar-se cada vez mais aos pressupostos filosóficos de uma ciência do comportamento, sua atenção naturalmente volta-se para a linguagem humana, uma vez que, para o autor, aprender a falar, assim como outras formas de comunicação, é um comportamento submetido às mesmas leis dos demais tipos de comportamento humano. Skinner defende que não há diferenças entre aprender a falar e aprender a andar de bicicleta, por exemplo, uma vez que todo comportamento é aprendido a partir das mesmas premissas. Em Verbal Behavior, publicado em 1957, ele argumenta que cada ato de fala é uma consequência inevitável do ambiente do falante e de sua história sensorial e comportamental. As ideias do autor sobre a linguagem são discutidas em maior detalhe na seção a seguir.

CONCEPÇÃO LINGUAGEM E DEFINIÇÃO DE LINGUAGEM

 De acordo com os behavioristas, mesmo comportamentos mais complexos como a linguagem podem ser condicionados e, nessa perspectiva, dependem da experiência para serem adquiridos. Como vimos, para os defensores dessa concepção, a linguagem é um comportamento aprendido, um hábito, e emerge – é construída – a partir da interação do ser com o input fornecido pelo meio. Em outras palavras, toda a aprendizagem, seja ela verbal (linguagem) ou não-verbal (aprendizagem em geral), ocorre por meio do mesmo processo subjacente, ou seja, via formação de hábitos.

O que acontece quando um homem fala ou responde a uma fala é claramente uma questão sobre o comportamento humano e, portanto, uma questão a ser respondida com os conceitos e técnicas da psicologia como uma ciência experimental do comportamento (SKINNER, 1957, p.).

No livro intitulado Verbal Behavior (1957), Skinner desenvolve seu mais polêmico argumento ao tentar aplicar o arcabouço teórico do behaviorismo à análise das atividades envolvendo as línguas humanas, com o propósito de identificar e descrever as variáveis que controlam o esse tipo de comportamento. De acordo com sua visão, a noção de condicionamento operante é suficiente para explicar todos os tipos de comportamento, inclusive o desenvolvimento da linguagem, uma vez que os enunciados linguísticos servem também como estímulo condicionado e resposta condicionada. Sua explicação é a seguinte: organismos produzem sons e as palavras são reforçadas, ao passo que as não-institucionais no estudo da política, que eram comuns na época, e abriu caminho para a concepção de um modelo de análise política baseado nos pressupostos das ciências naturais. Em outras palavras, somente a informação que pudesse ser quantificada e testada empiricamente poderia ser considerada ‘verdadeira’ e conceitos normativos e abstratos como ‘liberdade’ e ‘justiça’, por não serem falseáveis, deveriam ser inteiramente rejeitados – uma versão do que tem sido denominado de ‘empiricismo científico’, segundo o qual todas as crenças podem, em princípio, ser comprovadas cientificamente. Muitos críticos a essa visão apresentada por Skinner defendem que a obsessão com a observação de dados, embora possa trazem descobertas interessantes, restringe o escopo da análise política. Ainda, segundo eles, ao invés de refletir pressupostos científicos, a abordagem de Skinner mascara suas próprias preferências políticas.

Para o autor, a espécie humana distingue-se de outros animais justamente pelo fato de que as respostas verbais que enunciam podem ser facilmente condicionadas. Afirma, ainda, que as práticas de reforço de uma dada cultura compõem o que é chamado de ‘linguagem’. As práticas são responsáveis pela maior parte das realizações extraordinárias da espécie humana. Outras espécies adquirem comportamentos uns dos outros através de imitação e modelamento (eles mostram ao outro o que fazer), mas não conseguem dizer uns aos outros o que fazer. Nós adquirimos a maior parte de nosso comportamento com esse tipo de ajuda. Seguimos conselhos, damos atenção a advertências, observamos regras e obedecemos a leis… A maior parte do nosso comportamento é complexa demais para ter ocorrido pela primeira vez sem tal ajuda verbal. Ao seguirmos conselhos e regras, adquirimos um repertório muito mais extenso do que seria possível através do contato solitário com o ambiente (SKINNER)10.

Certos tipos de comportamento operam de forma automática e direta no ambiente e dão origem a algum tipo de reforço. O comportamento verbal, entretanto, difere desses no sentido de que afeta outras pessoas, que, nesse contexto, possuem o papel de mediar o reforço a ser dado ao falante a partir de várias condições do ambiente. Para Skinner, o comportamento verbal é considerado um ‘operante verbal’, um comportamento reforçado através da mediação de outras pessoas que agem com a intenção de proporcionar esse reforço ao comportamento do falante. Assim sendo, o comportamento verbal é uma função das contingências de reforço que recebe e deve ser explicado e analisado de forma semelhante a todos os outros tipos de comportamento humano. Nessa visão, a ‘linguagem nada mais é do que um simples nome para as regras que descrevem as contingências particulares que prevalecem dentro de uma dada comunidade verbal.

Esse trabalho de Skinner foi duramente criticado por Chomsky no artigo ‘A review of B.F. Skinner’s Verbal Behavior’. Language, v.35, n.1, p.26-58, 1959. Apesar da alegação feita por alguns defensores da visão behaviorista de que a leitura realizada por Chomsky tenha sido superficial em muitos aspectos, a discordância central entre os dois teóricos localiza-se, sobretudo, no objeto de análise: Chomsky enfatizou as propriedades estruturais das línguas humanas, ao passo que Skinner analisou suas variáveis controladoras. As críticas apresentadas por Chomsky, bem como as consequências teóricas desse debate, serão discutidas no Capítulo 2 deste livro.

Skinner, http://www.bfskinner.org/Operant.asp – acessado em 16 de fevereiro de 2004.

A expressão ‘comportamento verbal’ é considerada aqui praticamente equivalente a ‘linguagem’, embora não se restrinja somente ao comportamento envolvendo o emprego de uma língua humana (oral-auditiva ou visual- espacial), mas também à linguagem corporal, a gestos etc. 

ELEMENTOS DE UM ENFOQUE BEHAVIORISTA DO COMPORTAMENTO VERBAL

Estímulo antecedente

O estímulo que antecede um comportamento verbal pode ser um conjunto de palavras, um objeto ou evento (ou alguma de suas propriedades ou características), ou uma relação que se estabelece entre os interlocutores. A privação ou estimulação aversiva – quando um indivíduo, após ter experienciado uma situação de ameaça no passado e ter sido capaz de responder de forma a cessar essa ameaça, sente-se ameaçado novamente e, como consequência de seu sucesso anterior, tem a tendência de responder da mesma forma – são os tipos mais comuns de estímulos. Quando recitamos um poema decorado, por exemplo, as palavras do início do poema nos ajudam a lembrar das que vêm depois delas. Como veremos mais adiante, o comportamento verbal que se origina a partir de outro comportamento verbal pode também servir o propósito de modificar ou mesmo comentar o efeito desse comportamento. Vale ressaltar que o controle do estímulo nunca é perfeito. O estímulo, agindo antes da resposta, cria oportunidades e, acima de tudo, condições para que a resposta seja reforçada.

Resposta / resposta operante

Da mesma forma que no caso dos experimentos de laboratório envolvendo ratos e pombos, nos quais as unidades de comportamento são o apertar da barra ou a batida do bico, também no caso do comportamento verbal as respostas dadas pelos indivíduos são analisadas a partir de variáveis controladoras. Experiências de privação e cronograma de reforços determinam a qualidade das respostas, que é avaliada em função de variáveis como força, probabilidade de emissão, nível de energia, altura, velocidade, repetição imediata e frequência. A expressão ‘resposta operante’ refere-se àquelas respostas que ocorrem sem a existência de um estímulo evidente, por exemplo, quando fazemos um elogio a alguém.

Reforço e condicionamento

O reforço é um estímulo que pode estar associado tanto a outro estímulo quanto a uma resposta. A fim de ser classificado como reforço, o estímulo necessita ser capaz de provocar um aumento na intensidade da resposta. Para Skinner, a aprendizagem ocorre como resultado de uma mudança na força da resposta e o reforço é necessário para o aprendizado da língua e para a manutenção das respostas no adulto. No caso do comportamento verbal, o reforço pode tanto vir após cada instância de um comportamento verbal particular como pode ser também intermitente. Além disso, ele pode ser incondicionado (sem qualquer experiência prévia) ou condicionado. Numa interação, o reforço pode tomar a forma de resposta física momentânea ou posterior ao momento da fala, resposta facial, contato visual etc. A comunidade verbal mantém o comportamento do falante pelo reforço generalizado, sendo que a quantidade e a qualidade de reforços concedidos podem variar de acordo com o padrão da comunidade e da família. Qualquer comportamento verbal que desperta atenção é normalmente reforçado pela comunidade, até mesmo o silêncio, que também possui significado. Além disso, o falante e o ouvinte podem ser uma só pessoa: o falante pode conversar consigo mesmo e ser reforçado e esse reforço automático pode modelar o seu comportamento de falante.

Tipos de operantes verbais

Segundo a concepção behaviorista, como o comportamento humano ocorre em um contexto social, é reforçado através da interação com outras pessoas e muitos são os tipos de operantes verbais que elas utilizam. Em sua obra, Skinner identificou cinco classes diferentes de operantes verbais: Mando, Tato, Ecóico, Textual e Intraverbal, que serão descritos a seguir:

Mando

O mando define-se como um tipo de comportamento verbal controlado por um estímulo antecedente não verbal. Muitas vezes, o único estímulo necessário para que o mando ocorra é somente a presença do ouvinte. Através do mando, o falante é capaz de transmitir um comando ou pedido por algo que ele acredita que vai conseguir através da produção desse comando/pedido. Por exemplo, ao verbalizar seu pedido por água, a criança acredita que vai conseguir atingir seu objetivo, com base no sucesso comprovado por sua experiência passada; a água, nesse caso, torna-se o reforço.

Normalmente, os mandos originam-se de situações de (a) privação, e (b) estimulação aversiva (ameaça), embora o estímulo não seja a privação em si (ou a ameaça). Em outras palavras, tecnicamente falando, a sensação de sede não é o que desencadeia o pedido por água, embora proporcione as condições necessárias e suficientes para que o mando ocorra. O que estimula o falante é, na verdade, a presença física de um membro da comunidade de fala que possui a capacidade de lhe fornecer a água. Existem mandos ‘puros’ – quando a resposta verbal especifica o reforço, como, por exemplo, quando um falante solicita ao ouvinte que lhe diga as horas, dizendo: “Diga que horas são!”

– e mandos ‘impuros’ – quando há uma espécie de ‘amaciamento’ do mando através da formulação de uma pergunta, por exemplo, “Você saberia me dizer as horas?”. Alguns mandos são, ainda, ‘velados’, como, por exemplo, quando o falante exclama “Puxa! Como está frio aqui!” e como resultado alguém fecha a porta. Os behavioristas apontam vários tipos de mando, classificados de acordo com os tipos de respostas esperadas por parte do ouvinte: perguntas (especificam ação verbal), pedidos (o ouvinte demonstra se está motivado a reforçar o falante), súplica (se atendida, gera disposição emocional que reforça o falante), advertência (o ouvinte, ao realizar o comportamento indicado pelo falante, evita/reduz uma situação de estimulação aversiva), dentre outros.

Tato

Diferentemente do mando, que destaca a relação entre resposta e reforço, a categoria denominada ‘tato enfatiza a relação entre estímulo e resposta. Entretanto, da mesma forma que no caso do mando, para que seja considerado um tato, o comportamento verbal deve resultar de um estímulo não verbal. A consequência direta do tato é o reforço social (condicionado), que ocorre normalmente através de alguma forma de elogio: por exemplo, quando a criança diz “gato” ao ver uma foto de um gato e a mãe afirma “Muito bem!! É um gato.” O tato é baseado na referência da criança a objetos não verbais e em sua capacidade de ‘nomear’ – dar nome às coisas – para referir ou significar.

Com tatos ‘puros’, existe correspondência direta entre o estímulo e a resposta verbal, que serve para designar, nomear, ou especificar o objeto, evento ou situação (ou alguma de suas propriedades) sobre o qual se fala – a criança diz “cachorro” ao ver um. No caso dos tatos ‘impuros’, existe menor correspondência direta entre o estímulo e a resposta verbal, como em distorções, exageros ou mentiras.

A comunidade de fala instaura tatos na criança para que ela possa estender seu próprio contato com o meio – a criança ouve a mãe dizer “boneca” e reage de forma apropriada: olha em volta, busca a boneca que está no quarto, aponta para a boneca ou para a gravura da boneca, pega a boneca no colo etc. Para o autor, o comportamento decorrente de ouvir o estímulo (boneca) é forte e, por isso, o estímulo é considerado reforçante. Assim, o comportamento da criança é um operante discriminado pelo estímulo.

Comportamento ecoico ou de repetição

Um operante ecoico é uma resposta verbal na qual um estímulo oral/escrito ocasiona uma resposta oral/escrita correspondente. Diferentemente dos intraverbais, que serão discutidos abaixo, um ecoico é uma resposta verbal na qual o falante ouve toda a sequência primeiro e depois a repete inteiramente. Refere-se a casos em que o comportamento verbal é reproduzido ou imitado, independentemente de o estímulo ser oral ou espacial, como no caso da língua de sinais. Entretanto, um comportamento somente é considerado ecoico se tanto o estímulo quanto o comportamento dele resultante forem de um mesmo tipo (espacial ou oral). Ou seja, repetir algo que alguém acabou de dizer é considerado um ecoico vocal-vocal, ao passo  que dizer “não fume” ou “é proibido fumar” na

  A denominação em português ‘mando’ advém do inglês mand (que, por sua  vez, faz referência às expressões demand e command).

A expressão ‘tato’ origina-se do inglês tact (como em contact).

Com a noção de tato, Skinner (1957) tenta eliminar o tratamento dado pela tradição filosófica às noções de denotação (ou referência) e significado (ou designação).

O repertório-eco que a criança constrói a partir de vários estímulos que a rodeiam é, para os behavioristas, inteiramente atribuído a situações de reforço diferencial. Segundo Skinner, tanto a qualidade como a quantidade do repertório adquirido pela criança dependem unicamente do grau de precisão que é requerido pela comunidade na qual a criança está inserida – que pode ser mais ou menos flexível.

COMPORTAMENTO TEXTUAL

O comportamento textual diz respeito a situações de leitura, ou seja, situações nas quais um estímulo escrito ocasiona uma resposta verbal correspondente. A resposta verbal ao estímulo escrito não coloca nenhuma demanda sobre a competência linguística ou gramatical, embora normalmente seja mais gramatical do que qualquer outro comportamento verbal do mesmo falante. Como exemplo de um operante textual, podemos pensar numa situação em que um indivíduo diz em voz alta algo que acabou de ler, ou diz “não fume” ou “é proibido fumar” ao ver um cartaz no qual está escrito ‘proibido fumar’. Não é considerado um operante textual o caso em que um falante diz “não fume” ao ver um aviso de que é proibido fumar no qual somente apareça algum tipo de desenho.

OPERANTE INTRAVERBAL

A categoria de comportamento denominada ‘intraverbal’ enfatiza a relação entre um comportamento verbal anterior e a resposta. O operante intraverbal refere-se a casos em que o estímulo que o antecede é verbal (escrito ou oral/espacial), mas não existe correspondência direta entre o estímulo e a resposta; a relação entre estímulo e resposta é puramente arbitrária, estabelecida pela comunidade de fala. Os intraverbais dão conta de situações de transmissão de informação em geral, que é realizada através de algum tipo de associação de palavras, que prevê que uma certa palavra determine a palavra ou conjunto de palavras que virão a seguir na sequência. São exemplos de intraverbais as associações livres, como dizer “jacaré” ao ler “crocodilo”, ou, no caso de uma língua estrangeira, dizer “casa” como resultado de ouvir “home”. Normalmente, os intraverbais envolvem informações decoradas/ memorizadas sobre ciência, fatos, eventos históricos, conhecimento da tabuada, etc. (por exemplo, aprender a contar: “1, 2, 3…”, memorizar o alfabeto: “A, B, C, D…”, cantar uma música, etc.).

AUTOCLÍTICOS

Para Skinner, alguns comportamentos verbais dependem de – ou são evocados por – outros comportamentos mais básicos, ao mesmo tempo em que atuam sobre eles sendo capazes de modificá-los. Esses são chamados de ‘autoclíticos’. Qualquer instância de atividade autoclítica necessariamente envolve outros operantes verbais básicos ou primários (mando, tato, ecóico, textual e intraverbal). Um exemplo pode ser dado aqui associando o operante verbal básico tato a um autoclítico: “O assassino está na cadeia”. Se o falante disser “Eu ouvi falar que o assassino está na cadeia”, temos um exemplo de palavras autoclíticas – “Eu ouvi falar que…” – empregadas pelo falante, nesse caso, com o objetivo de tecer um comentário sobre um operante verbal básico/primário que é supostamente ecóico (ou seja, o falante ouviu alguém dizer que o assassino está na cadeia e está repetindo isso). Em outras palavras, “O assassino está na cadeia” é a parte básica da sentença. A partir daí o indivíduo tece um comentário sobre a sentença básica utilizando-se de palavras autoclíticas. Se a sentença fosse “Eu li no jornal que o assassino está na cadeia”, o comentário autoclítico teria tomado como base um operante ‘textual’.

O emprego do operante verbal correto e do comentário autoclítico apropriado (dando origem ao correto uso da linguagem) será positivamente reforçado através de elogios e, consequentemente, o falante tenderá a utilizá-los novamente. Ao contrário, o uso incorreto da linguagem será negativamente reforçado através do emprego de expressões como “Não, não é isso!” E dessa forma, não será repetido novamente. A comunidade verbal normalmente reforça o desenvolvimento de tais aspectos do comportamento verbal porque é considerado relevante fornecer informações precisas sobre o que se fala. Outros exemplos de autoclíticos envolvem inícios de sentenças contendo as expressões “Tenho certeza de que…”, “Eu acredito…”, “Supostamente…”, além de exercícios de retórica e construção de argumentos lógicos.

Em termos gerais, sob a perspectiva behaviorista, portanto, todos os tipos de comportamento são determinados pelos mecanismos de recompensa e punição, dado que, em seus atos, os indivíduos são necessariamente movidos pelas respostas que recebem. Além disso, como a linguagem é concebida como um tipo de comportamento, seu funcionamento é consequentemente regido pelos mesmos princípios que regem outros tipos de comportamento humano. Como todo o conhecimento advém da experiência, a criança, sob a concepção behaviorista, é concebida como um ser passivo, que somente aprende a falar porque imita a fala adulta a que é exposta e é constantemente corrigida e ensinada, recebendo reforço positivo quando está correta e negativo sempre que produzir erros. Vale salientar que o aspecto mais fundamental de uma análise behaviorista do comportamento humano não se localiza, contudo, na aquisição da linguagem em si, mas sim na análise da interação entre a linguagem e o comportamento. Num texto que aparece no livro Contingencies of Reinforcement (1969), por exemplo, Skinner defende que os indivíduos são capazes de construir estímulos linguísticos que podem vir a controlar seus comportamentos da mesma forma que estímulos externos são capazes de fazê-lo. Tal possibilidade de controle sobre o comportamento significa que contingências de reforço podem não necessariamente produzir os mesmos efeitos em termos de comportamento verbal em todos os seres humanos em comparação a outros animais.

Como veremos na próxima seção, supõe-se que as crianças aprendem uma língua usando princípios gerais de aprendizagem e apresentam erros de acordo com as suas próprias experiências à medida que atingem diferentes níveis de habilidades linguísticas.

A QUESTÃO DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

A aquisição da linguagem se dá, segundo os behavioristas, mediante a experiência que a criança desenvolve com a língua utilizada pelas pessoas que com ela convivem e é determinada, em última instância, tanto pela qualidade e quantidade da língua que a criança ouve como pela consistência do reforço oferecido a ela pelas outras pessoas em seu meio, fatores esses que determinam o grau de sucesso que ela pode vir a atingir no seu desenvolvimento.

A criança, ao nascer não possui qualquer tipo de conhecimento prévio e somente aprende uma língua particular se alguém ensiná-la. Assim, o ambiente é o único responsável pelo provimento do conhecimento que ela porventura virá a adquirir, através das leis de condicionamento. A partir da imitação de sons e padrões, da prática assistida com reforços negativos e positivos e da formação de hábitos, ela constituirá a sua língua. Por essa razão, segundo a abordagem behaviorista, não é possível prever-se qual a primeira palavra que uma criança irá produzir, uma vez que ela é submetida a vários estímulos do meio e, apenas em um determinado momento, sua primeira resposta a esse meio surgirá.

Os teóricos afirmam que tanto os aprendizes de uma língua materna quanto de uma segunda língua recebem input linguístico dos falantes no seu ambiente, além de reforço positivo para suas repetições corretas e imitações. Quando as respostas dos aprendizes são reforçadas positivamente, eles supostamente adquirem a língua de modo relativamente fácil.

Como o condicionamento clássico é aplicado ao processo de aprendizagem da linguagem? Segundo Skinner, através do condicionamento operante e das associações é possível explicar como se dá esse processo. O autor afirma que as crianças usam uma expressão linguística e, através de operações associativas às formas produzidas pelo adulto, produzem a forma correta, que parte de critérios estabelecidos pelos próprios adultos. Além disso, as crianças também imitam os sons e padrões que ouvem ao redor delas e recebem reforço positivo (que pode ocorrer na forma de elogios ou simplesmente como consequência de uma situação de comunicação bem-sucedida) ao fazê-lo (por exemplo, quando uma criança realiza pedidos através de uma série de tentativas e erros até ser bem-sucedida na conquista do que quer). Encorajadas, portanto, pelo seu meio, elas continuam a imitar e a praticar esses sons e padrões até formarem hábitos de uso correto da língua. Podemos, por exemplo, facilmente imaginar o caso de uma criança que está aprendendo uma palavra nova. Se todas as vezes em que a criança estiver diante de um objeto (ou de uma ação), os pais introduzirem a palavra referente a ele, a criança será supostamente condicionada a associar a palavra ao objeto (ou a uma ação). Nesse caso, o estímulo condicionado será a pronúncia da palavra sempre que o objeto (ou a ação) for apresentado. Ressalta-se que o estudo da aquisição de linguagem torna-se particularmente interessante para a teoria behaviorista devido ao fato de que os experimentos conduzidos sob essa perspectiva podem atestar a validade das leis do condicionamento. O comportamento do ouvinte pode explicar o comportamento do falante, dado que o falante normalmente pressupõe que o ouvinte reforçará seu comportamento de alguma maneira. Em seu comportamento, o ouvinte pressupõe um falante cujo comportamento tem certa relação com as condições ambientais.

Para explicar como as crianças produzem formas de palavras e sentenças jamais ouvidas/vistas, Skinner defende que a criança associa as diferentes formas ouvidas/vistas sistematicamente àquelas com as quais já está familiarizada (habituada) por ter aprendido as sequências da língua. O processo de aquisição de língua passa a ser visto como consequência do estabelecimento de associações entre estímulos (por exemplo, palavras ouvidas) e respostas (por exemplo, as vocalizações espontâneas da criança). Qualquer comportamento continua a ser adquirido se recebe reforço. Para eliminar a resposta, é só não reforçar. Nesse sentido, argumenta, a criança associa as sequências já aprendidas com outras palavras novas ou novos grupos de palavras até serem capazes de formar a frase por completo.

Assim, ao produzir a primeira palavra, a criança já teria as demais opções disponíveis, possibilitando-a realizar as associações adequadas ao contexto apresentado. A esse comportamento, Skinner refere como ‘cadeia de respostas’. A criança adquire ainda a capacidade de generalização, ou seja, uma resposta condicionada com a vogal final ‘i’, por exemplo, associa-se a um novo estímulo como o verbo ‘fazer’, semelhante ao estímulo condicionado do verbo ‘comer’, e a criança produz a palavra ‘fazi’ (ALBANO, 1990). Dessa forma, qualquer comportamento, inclusive a linguagem, pode ser explicado através de cadeias associativas.

Que tipo de evidência Skinner e outros behavioristas produziram a fim de validar suas afirmações? Como exemplo, podemos citar um dos estudos descritos na literatura que envolveu o treino de uma menina mentalmente deficiente, através do emprego de reforço positivo em forma de elogios e comida, para que aprendesse a produzir enunciados gramaticalmente corretos (GUESS et al., 1968, citados por PAIVIO e BEGG, 1981, para mais detalhes). Por muito tempo, vários autores defenderam a ideia de que as crianças, de fato, adquirem a gramática correta de sua língua materna através do reforço proporcionado por parte de quem consideravam seus professores de língua (particularmente, pais e babás). Contudo, atualmente sabe-se que existe pouca evidência que dê suporte a esse argumento, pois os estudos não somente têm comprovado que não existe relação concreta entre o uso correto da gramática e o reforço positivo dos pais e babás, mas se constata também que os pais demonstram evidência de estarem interessados principalmente na correção do significado e da propriedade em termos de uso dos enunciados de seus filhos, ao invés de sua correção gramatical (SLOBIN, 1975; e LIGHTBOWN e SPADA, 2000, para maiores evidência dessa constatação). Além disso, nos casos em que ocorre, o reforço parece não ser notado pelas crianças15.

A teoria de aquisição de linguagem behaviorista tem como fundamento principal que todo o conhecimento advém do meio, ou seja, o ser humano nada tem de inato, tudo é aprendido. Dessa forma, o aprendiz é um ser passivo diante do meio. A questão de passividade pode ser melhor entendida na dependência do organismo aos estímulos externos. Em outras palavras, os interlocutores da criança são os responsáveis pelo processo de aprendizagem, pelo que a criança vai ou não dizer.

Além disso, a teoria behaviorista vai além das teorias que concebem o comportamento como dependente de fatos ocorridos no organismo, ou seja, que consideram apenas o falante fazendo análise formal do significado e das informações. Nessa teoria, observa-se o falante e o ouvinte e considera-se o que o ouvinte faz para produzir e controlar o comportamento do falante.

PERÍODO CRÍTICO

O fato básico a ser analisado na discussão sobre um período de maturação linguística após o qual os indivíduos teriam dificuldade para aprender uma língua surge a partir da paradoxal evidência de que todas as crianças normais são impreterivelmente bem-sucedidas na aprendizagem de uma ou mais línguas faladas em sua comunidade, enquanto a maioria dos adultos que tentam aprender uma segunda língua não obtêm os mesmos níveis de sucesso. A incrível disparidade que é facilmente constatada, uma vez que são justamente os organismos menos desenvolvidos, portanto, supostamente menos capazes em termos de suas habilidades, que atingem maior sucesso em comparação com os adultos, é atualmente motivo de intensa polêmica na literatura da área.

Entretanto, a concepção de linguagem defendida pelos behavioristas é inconsistente com a postulação de um período crítico para a sua aprendizagem. A disparidade entre a natureza do processo de aprendizagem da linguagem na infância em comparação com o que ocorre na vida adulta não era uma questão colocada quando o behaviorismo dominava os campos de estudo da Psicologia e da Linguística. Pesquisas experimentais mais recentes têm questionado essa concepção. Tal discussão será retomada no próximo capítulo.

Mesmo sem ter conhecimento formalizado dos pressupostos base do behaviorismo, todos nós utilizamo-nos dos esquemas descritos e analisados por Skinner e seus antecessores em vários aspectos que defendem que o sistema de estímulo-resposta envolvendo reforço e um modelo de ‘gramática finita’ é incapaz de explicar a natureza rápida, criativa e complexa da linguagem de nossa vida cotidiana. Em casa, na relação com os filhos, os pais não perdem oportunidades de elogiar ou punir os seus filhos na busca de comportamentos desejados. Na escola, os professores atribuem notas altas ou baixas aos seus alunos quando desejam reforçar ou diminuir a intensidade de um comportamento. Esquemas de reforço parcial são também utilizados, como, por exemplo, quando um pai ou mãe (ou professor) cede a um apelo da criança, mesmo sabendo que estará reforçando positivamente um comportamento não desejado, fazendo questão de afirmar que “É só dessa vez!” Ou, ainda, “Essa é a última vez que eu permito isso!”.

Com relação à língua, como foi visto, a teoria behaviorista pressupõe que os indivíduos se comportam de forma semelhante, em muitas situações, condicionando a criança a produzir certa estrutura através do fornecimento de algum tipo de reforço. A língua é vista como um comportamento humano igual a qualquer outro e é aprendida por meio de imitação: a criança copia as produções do adulto e daí produz a sua fala. A fala é vista como resultante de um comportamento estímulo/resposta, como se a língua fosse um simples código a ser aprendido. E as crianças, passivamente, esperam pelos estímulos do meio para que possam aprender a língua.

Os exemplos da fala das crianças nos fornecem uma incomparável oportunidade de visualizarmos as etapas que constituem o processo de aquisição da linguagem. Acrescente-se aqui que um grande número de profissionais das áreas de educação e saúde, mais especificamente da fonoaudiologia, acabam por utilizar esses pressupostos teóricos, muitas vezes, de forma inconsciente e, em sua prática, fazem uso de situações envolvendo reforços positivos (e negativos), correções, repetições numa tentativa de “ensinar” uma criança a falar/escrever.

Fica claro que a abordagem behaviorista oferece uma importante contribuição para a compreensão de como as crianças adquirem alguns dos aspectos mais rotineiros e regulares da língua. Entretanto, sabemos que simples imitação e prática não são capazes de explicar algumas das formas linguísticas que são criadas pelas crianças, que vão muito além das estruturas que eles ouvem na interação com os adultos. A evidência mostra, ao contrário, que as crianças possuem capacidade de adquirir padrões gramaticais bastante complexos e generalizá-los a contextos inteiramente novos. Elas criam formas novas ou novos usos de palavras até descobrirem de que modo as estruturas são usadas pelos adultos. Outras propostas de explicação desse processo que vão muito além de imitação e prática são exploradas nos próximos capítulos.

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