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A CONTRIBUIÇÃO DOS JOGOS NO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM



 JOGOS NO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM
 JOGOS NO PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM
Olá amigos Educadores e seguidores do SOESCOLA.COM.
Recebi em meu E-mail este excelente artigo e resolvi compartilhar com vocês. Espero que Gostem.

Autoras: Lourdes Bernadete Possatto e Cladis Rosélia Jagnow

RESUMO
              Este artigo Analisa os jogos didáticos em sala de aula como ferramenta para auxiliar a aprendizagem de alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Numa breve visão apresentamos autores renomados que mostram a importância dos jogos didáticos para motivar os alunos na busca pela aprendizagem numa visão psicopedagógico. Considera a influência dos jogos na socialização das crianças, e como os jogos podem ser colaboradores na compreensão e retenção dos conteúdos das disciplinas específicas.
Palavras chaves: Jogos, motivação e socialização

Introdução

Com este trabalho pretendemos analisar a dificuldade de aprendizagem vivenciada junto aos alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Leôncio Pinheiro da Silva. Bem como buscar ajuda para auxiliar os professores que atuam nestas turmas quanto a entender como mudar esta realidade. A finalidade deste trabalho será buscar referências bibliográficas para auxiliar os professores em suas ações, para que possam diminuir as  dificuldades encontradas ao motivar os alunos a querer aprender com interesse. Sendo assim, o trabalho propõe uma análise das teorias de autores que já descreveram sobre a importância de se usar um ensino diversificado, com aulas que podem ser um incentivo motivacional por introduzir em suas aulas jogos didático. Analisa os jogos didáticos como ferramenta que contribui para o ensino aprendizagem. Busca entender a opinião dos professores sobre a utilização dos jogos em suas aulas.

Ao voltar nossa atenção aos primórdios da história da humanidade, veremos que os jogos sempre fizeram parte da vivência humana. Porém, ao longo dos anos, houve muitas mudanças na utilização dos jogos e brincadeiras. Essas eram utilizadas em todas as classes sociais, no entanto, com o tempo tornou-se comum nas classes populares sofrendo transformações e adaptações, que por sua vez perderam muito das suas características originais. Entretanto, com o início da industrialização por volta do século XIX, os brinquedos tomaram novas formas, utilizaram-se novos materiais, que foram dirigidos ao público infantil. Estes brinquedos exercem uma mediação entre as crianças e os jogos no mundo em que estão inseridas. A socialização que as crianças têm com os colegas através dos jogos tem proporcionado resultados positivos, pois possibilita o desenvolvimento integral, proporcionando a aquisição de habilidades indispensáveis como: colaboração, autodomínio, criatividade, coragem, iniciativa, capacidade de observação, capacidade de tirar conclusões e fazer estimativas. Estas habilidades influenciam nos aspectos sociais, físicos e emocionais das crianças conforme Kishimoto (2002) descreve os jogos, sendo considerados como uma atividade que tem valor educacional, por funcionar como motivador, estimulando o prazer, desenvolve pensamento de organização de tempo e espaço, proporciona interação, argumentação e interesse, desta forma aprendendo com mais facilidade. Quando analisamos Piaget, sobre “assimilação”, que ocorre quando a criança ou adulto entra em contato com algo novo, e que esse faz o papel de “remeter” ao que já tinha visto ou “vivenciado”, esse reconhecimento leva a novos pensamentos, novas conclusões e novos conceitos, por sua vez novas aprendizagens. Ainda, conforme Piaget, ao comparar e assimilar a criança chega ao processo de “equilibração” ou acomodação, neste ponto entra a função do professor com o papel de oferecer novos desafios para estimular novos conhecimentos. Outro ponto positivo dos jogos no processo ensino aprendizagem segundo Vygotsky é a “socialização”, desempenha papel importante no desenvolvimento da criança. Essa interação social contribui para a formação de conceitos sobre espaços e tempo, aumenta a reflexão ao comparar suas ideias com as dos coleguinhas e com isso forma novas opiniões. Fialho, (2007) corrobora com as afirmações dos colegas, descrevendo os jogos como motivadores para a aprendizagem.

Justificativa

Estamos enfrentando um crescente desinteresse entre os alunos pelas aulas ministradas em salas de aulas. Para os professores isso se torna um desafio que se deve encontrar uma saída plausível ou entraremos em colapso geral no que se refere aos avanços na construção da aprendizagem significativa. Por experiência de usar os jogos didáticos em sala de aula, no intuito de tornar a aprendizagem mais prazerosa e ao mesmo tempo buscando o aumento da efetividade do ensino/aprendizagem, buscarei junto a autores que já descreveram práticas sobre o uso dos jogos didáticos como ferramenta motivadora do interesse pelas aulas, base teórica para dar credibilidades a minha prática, e incentivar o uso dos jogos didáticos como auxílio no desenvolvimento das habilidades necessárias para facilitar a compreensão dos conteúdos e tornar as aulas mais criativas e prazerosas. Visto que os jogos proporcionam sociabilidade ou segundo Vygotsky contribui para a “formação social da mente”, colabora para a formação de conceitos, incentiva a criatividade, auxilia no reforço dos conteúdos estudados, proporcionam ocasiões de colaboração, através da competição proporciona espaços para criar estratégias, neste contexto os jogos podem ser usados para que as aulas fiquem menos enfadonhas e para proporcionar na sala de aula um espaço de convivência pacífico.

Segundo SILVEIRA (1998,p.2), os jogos podem ser usados para “autoconfiança e motivação”, auxiliando no ensino aprendizagem. No entanto, alerta para o cuidado que devemos ter ao levar os jogos para a sala de aula, enfatizando que esses devem ser bem planejados e tendo coerência com os conteúdos ministrados, para que não se deixe de lado os conteúdos previstos para a série. Outro ponto que devemos levar em conta é o preparo e seleção dos jogos que serão utilizados, entendendo que o professor deve conhecer as regras para aplicar os jogos.

Precisamos despertar nos alunos o desejo de querer aprender, no entanto, os jogos podem ser um dos caminhos a ser percorrido para auxiliar na aprendizagem e diminuir o desinteresse dos alunos pelas aulas.

Diante do trabalho de autores que descreveram sobre a importância dos jogos didáticos como ferramenta a contribuir na motivação do ensino/ aprendizagem em alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, busco embasamento teórico que contribuam para auxiliar o desenvolvimento de capacidades necessárias ao utilizar no planejamento esse recurso. Kishimoto faz argumentações importantes das experiências ao utilizar jogos e brincadeiras para o raciocínio lógico. Porém, salienta que são úteis em outras áreas:
Sabemos que as experiências positivas nos dão segurança e estímulo para o                            desenvolvimento. O jogo nos propicia experiências de êxito, pois é significativo, possibilitando a autodescoberta, a assimilação e a interação com o mundo por meio de relações e de vivências.  
             
               Neste mesmo contexto Luckesi (2000, p. 57) leva a refletir o valor social, cultural, afetivo e educativo que os jogos têm no comportamento de quem os utiliza.

Uma educação que leva em consideração a ludicidade é um fazer humano mais amplo, que se relaciona não apenas à presença das brincadeiras ou jogos, mas também a um sentimento, atitude do sujeito envolvido na ação, que se refere a um prazer de celebração em função do envolvimento genuíno com a atividade, a sensação de plenitude que acompanha as coisas significativas e verdadeiras. (LUCKESI, p. 57).

O uso pedagógico de jogos em sala de aula estimula a construção mais completa do pensamento significativo e o convívio social, levando a superarem obstáculos em equipe. Podemos refletir sobre o papel do brinquedo no desenvolvimento e na formação social da mente segundo escritos de Vygotsky. No papel social o autor relata que as crianças tendem a mudar suas atitudes e pensamentos ao se sociabilizar com o que ocorre no meio em que estão inseridos. Se esses ambientes oferecem recursos planejados conforme as necessidades das crianças, propiciam uma aquisição habilidades de forma prazerosa. Oliveira (2000, p.17) nos assegura o valor e influência da utilização de linguagens diferentes para que a criança tenha oportunidades de ampliar a aprendizagem.

Vida a fora o meio exercerá sua influência, sua atuação falará à criança através das suas diferentes linguagens, convidando-a ou mesmo impelindo-a a agir ou, por outro lado inibindo-a. A criança, contudo, tornará sempre parte ativa nesta escolha e seleção do que faz e como faz, para que faz, quando faz e com que faz. O brincar ensina a escolher, a assumir, a participar, a delegar e postergar. (OLIVEIRA, 2000, P. 17).

Sendo assim entende-se que a humanização se dá no meio social em que a criança interage e que, portanto, os jogos ou brincadeiras terão importância na aquisição do conhecimento para que possa desenvolver suas habilidades e competências que lhe serão úteis na trajetória de sua vida. Segundo Oliveira, através dos jogos a criança terá oportunidade de conviver com regras aceitando-as ou criando-as, que por sua vez contribuirão para um bom convívio social. Porque no brincar, surgem oportunidades para aceitar, expressar e experimentar comportamentos que em outra ocasião não teria coragem de expressá-los, por medo ou até mesmo vergonha. Neste contexto podemos atentar para a contribuição de Almeida (1998, p.54) “ A brincadeira além de contribuir e influenciar na formação da criança, possibilitando um crescimento sadio,...”. Temos muitos referenciais teóricos que sem dúvidas que os jogos e brincadeiras são ferramentas poderosas na aprendizagem.

4.1 As tecnologias em nossas vidas

Temos que lembrar que no contexto da busca por obter recurso que possam auxiliar o desenvolvimento de habilidades e competências encontramos várias opções. Neste caso vale destacar os recursos encontrados nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) que surgem de forma acelerada.  As tecnologias permitem que a humanidade obtenha informações de modo rápido e em grande quantidade alcançando uma proporção maior de pessoas. A expansão dos meios tecnológicos de informação proporciona que em lugares distante se tenha a oportunidade de adquirir conhecimento de qualidade por meio da Educação a Distância promovida pela tecnologia. No contexto a tecnologia oferece muitas formas de se adquirir conhecimento, os jogos educativos são atrativos que permitem diversas oportunidades de aprendizagem. Para a o desenvolvimento do letramento encontramos oportunidades de jogos que oportunizam desenvolver a leitura e escrita, sites que ensinam  construir jogos, entre outros. Raquel Goulart (2003) está entre muitos autores que destacam a importância das tecnologias no desenvolvimento das aprendizagens.

A tecnologia na educação torna-se um diferencial importante para os indivíduos que as usam para desenvolver habilidades e competências, bem como armazenar informações para uso na criatividade e inovação do seu potencial, no entanto, essas faculdades de mobilizar a tecnologia está ligada aos contextos culturais, profissionais e sociais, conforme Perrenoud.

Perrenoud (2009) (apud Silvia, 2009)  “[..] a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações. Estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais.”
Não temos dúvidas de que a evolução das tics tem contribuído para melhorar o sistema educacional com suas diversas facetas, como por exemplo, o rápido acesso às informações e o armazenamento das mesmas, porém o que nos preocupa é que não somos na maioria, docentes alfabetizados tecnologicamente, também enfrentamos o problema estrutural de muitas escolas não ter acesso disponível às tecnologias dentro do processo de ensino- aprendizagem.
 
 4 . 2  Os jogos didáticos como ferramenta no auxílio do ensino/ aprendizagem  
              
Quando falamos do uso de jogos como suporte para estimular o desenvolvimento de habilidades e competências no ensino aprendizagem, encontramos um número considerável de autores que compravam a eficácia e que nos dão suporte para usá-los em nossas aulas. No sentido de os jogos serem uma ferramenta para a socialização, encontramos suporte em Vygotsky ( Formação Social da Mente,1998) com seus estudos sobre a contribuição dos jogos na interação social estabelecidas aos participantes. Ainda no contexto social encontramos a colaboração de Brougère, (2008, p. 106):
A brincadeira que pode ser às vezes uma escola de conformismo social, de adequações às soluções propostas, pode, do mesmo modo, tornar-se um espaço de invenção, de curiosidade e de experiências diversificadas, por menos que a sociedade ofereça as crianças os meios para isso.”  (Brougère, 2008, p. 106 – apud Tereza M. Nishikawa).

Essa interação desfrutada de forma prazerosa entre os participantes contribui para o desenvolvimento de várias habilidades como: colaboração, companheirismo, a busca por novos conhecimentos, a formação de estratégias, entre outras habilidades que são úteis para uma boa formação e convivência social.

Entendendo o campo de construção de inteligência, temos na ponta Piaget sobre “construção do conhecimento”. Piaget nos afirma que nas situações de estranheza de algo novo que o autor denomina como “assimilação”, no contato de reconhecimento do que está se confrontando a criança refina seus conhecimentos construindo  novos conceitos e chega novamente na “acomodação” do que aprendeu, Piaget reforça aqui a função do professor de criar estratégias para “desequilibrar o esquema mental do aluno” proporcionando novos desafios. Neste processo de “assimilação”, “acomodação” e “desiquilíbrio” a criança desenvolve uma série de habilidades para uso nas mais diversas situações cotidianas, como por exemplo, a construção, entendimento e respeito às regras que serão úteis no convívio social, neste campo os jogos oferecem uma contribuição inestimável. Outra contribuição é de Kishimoto (1994) nos  lembrando que os jogos são estimulantes e relevantes para alcançar  objetivamente uma aprendizagem construtiva, por sua experiência positiva.

Sabemos que as experiências positivas nos dão segurança e estímulo para o desenvolvimento. O jogo nos propicia experiências de êxito, pois é significativo, possibilitando a autodescoberta, a assimilação e a interação com o mundo por meio de relações e de vivências.

Destacamos agora alguns autores (as) que também contribuíram para a construção do conhecimento com a colaboração dos jogos no letramento e leitura. Nos mais diversos sites online, encontramos a página da Iara Medeiro, com uma diversidade de jogos para letramento que fascina as crianças proporcionando aprendizagem prazerosa. As atividades online são atraentes e colaboram muito para o letramento das crianças, por usar o campo visual como atrativo. Essas páginas  oferecem uma diversidade de jogos como; Jogo de dado alfabético, jogo de trilhas, jogo de memória e outros que podem ser adaptados conforme a faixa etária das crianças e também conforme os conteúdos a serem trabalhados. Estes podem ser jogos coletivos envolvendo a turma toda, em trios, em duplas conforme a necessidade. Conforme Vygotsky, a interação com o meio faz com que o que está interno na criança venha ser socializado proporcionando construção de novos aprendizados, havendo assim uma troca interativa, sendo essa oriunda dos mais diversos meios interativos. Cabe a escola e a família proporcionar mecanismos ou ferramentas para aumentar os desafios que por sua vez proporcionam novos conhecimentos e as ajudam a desenvolverem competências. Segundo Paulo Freire (1996), “ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a produção do saber”. Em nossa trajetória como docente, sabemos que essas palavras de Paulo fazem o maior sentido, quando proporcionamos mecanismos para as crianças nós nos surpreendemos com o desenvolvimento de habilidades e com a produção de conhecimento próprio. Sabemos que a aquisição mais a interação resultam numa aprendizagem significativa, porém, precisamos nos lembrar que as informações adquiridas no meio em que as crianças vivem influenciam de modo positivo ou negativo no desenvolvimento escolar. Segundo Manuela Maria Conceição Ferreira:

 A aprendizagem está envolvida em múltiplos factores, que se implicam mutuamente e que embora os possamos analisar em separado fazem parte de um todo que depende, quer na sua natureza, quer na sua qualidade, de uma série de condições internas e externas ao sujeito (Malglaive, 1990).

Os fatores internos ou externos exercem grande influência na aquisição de aprendizagens e esses desafios são vivenciados diariamente no cotidiano escolar e causam inquietação.
“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.” Nesta frase de Cora Coralina está em essência a realidade de muitas crianças que em nossas escolas são vista como crianças que não querem aprender, quando na realidade no seu cotidiano não recebe estímulo que sejam toques em sua alma surrada por situações negativas.

   4.3 O desejo de aprender, suas causas, consequências e desafios

Uma séria preocupação que enfrentamos diariamente está em encontrar maneiras para enfrentar o problema do desinteresse de nossas crianças pelas aulas. Segundo Montessori, as crianças precisam ser ensinadas a satisfazer suas necessidades por si mesmas, recebendo a ajuda necessária para que isso possa acontecer.

...v um ser com necessidades próprias, original e único; v um ser capaz de crescer por si mesmo; um ser diferente do adulto; v um ser que precisa de ajuda adequada e oportuna; v um ser capaz de aprender naturalmente.

Nesta linha de pensamento de Montessori, podemos refletir sobre o uso dos jogos didáticos como ferramenta motivadora na construção do conhecimento de forma significativaSegundo Clenilda Cazarin Pezzini*1 Maria Lidia Sica Szymanski em FALTA DE DESEJO DE APRENDER Causas e Consequências, nos afirmam que a falta de desejo de aprender está presente no cotidiano escolar.

 Entre todas as dificuldades pelas quais passa a educação no Brasil, destaca-se, atualmente, um grande desinteresse por parte de muitos alunos, por qualquer atividade escolar. Freqüentam as aulas por obrigação, sem, contudo, participar das atividades básicas. Ficam apáticos diante de qualquer iniciativa dos professores, que se confessam frustrados por não conseguirem atingir totalmente seus objetivos.

Para que o objetivo de cativar as crianças a gostarem de buscar conhecimento se efetive é preciso proporcionar ambientes descontraídos. Aqui entra a colaboração dos inúmeros autores que comprovam a eficácia da busca prazerosa por meio de jogos e brincadeiras planejados para que a criança possa assimilar os conteúdos.

Para atingir bons resultados na aprendizagem, não podemos esquecer que precisamos de profissionais qualificados. Na formação dos profissionais da educação devemos considerar a necessidade de um professor capacitado a não se restringir ao repassar conhecimento, mas segundo Paulo Freire a aprendizagem começa “... antes de tudo, ensinar a perguntar. Porque o início do conhecimento, repito, é perguntar. E somente a partir de perguntas é que se deve sair em busca de respostas.” Estimular a criança a fazer perguntas e criticar situações dará a ela oportunidade de se habilitar na busca do aprendizado com autonomia própria. Segundo Claudemir Pedroso, em seu resumo da Teoria do Conhecimento, nos ajuda a compreender que para chegar ao conhecimento do objeto a criança terá de fazer indagações.

 O dualismo do sujeito e do objeto pertence à essência do conhecimento. A função do sujeito é apreender o objeto; a função do objeto é ser apreensível e ser apreendido pelo sujeito. Vista a partir do sujeito, essa apreensão aparece como uma saída do sujeito para além de sua esfera própria, co­mo uma invasão da esfera do objeto e como uma apreen­são das determinações do objeto. Surge no sujeito uma "figura" que contém as determinações do objeto, uma "imagem" do objeto. Visto a partir do objeto, o conhecimento aparece como um alastramento, no sujeito, das determinações do objeto. Há uma transcendência do objeto na esfera do su­jeito correspondendo à transcendência do sujeito na esfera do objeto. Pelo contrário, pode-se falar de uma atividade e de uma espontaneidade do sujei­to no conhecimento. Receptividade com respeito ao objeto e espon­taneidade com respeito à imagem do objeto no sujeito po­dem perfeitamente coexistir. Na medida em que determina o sujeito, o objeto mos­tra-se independente do sujeito, para além dele, transcen­dente.

Segundo Everton Marcos de Souza em O papel do professor na construção da autonomia retrata o dito de Piaget:

Jean Piaget caracterizava "Autonomia como a capacidade de coordenação de diferentes perspectivas sociais com o pressuposto do respeito recíproco". (Kesselring T. Jean Piaget. Petrópolis: Vozes, 1993:173-189).

Sugundo (Gonzaga 2009, p. 39 apud, ELAINE RIBEIRO ALMEIDA)  aponta:

(...) a essência do bom professor está na habilidade de planejar metas para aprendizagem das crianças, mediar suas experiências, auxiliar no uso das diferentes linguagens, realizar intervenções e mudar a rota quando necessário. Talvez, os bons professores sejam os que respeitam as crianças e por isso levam qualidade lúdica para a sua prática pedagógica.

Entendemos que muito se tem feito para proporcionar aos nossos alunos uma aprendizagem significativa, encontramos muitos autores que embasam nossa proposta para utilizar os jogos didáticos como estímulo para que possamos motivar nossas crianças a desenvolver autonomia na busca do conhecimento.
Conclusões

No decorrer deste estudo foi possível perceber a influência positiva que os jogos exercem sobre a criança no desenvolvimento da aprendizagem significativa. Constatou-se que o jogo pedagógico constitui uma excelente ferramenta educacional que está ao nosso favor como uma poderosa ferramenta para auxiliar o desenvolvimento das habilidades nas crianças em sentido físico, emocional e cognitivo.

 Na interação, ao exercer um intercâmbio de relações da criança com os jogos e com os colegas possibilita momentos de aprendizagem interativa, que aumenta a capacidade de sociabilidade, foco de atenção, melhora da linguagem oral e escrita, aumenta sua capacidade de percepção, criatividade, desenvolve capacidade de criar estratégias, auxilia no desenvolvimento das capacidades emocionais onde a criança demonstra coragem, alegria, satisfação, angústias, medo, afetividade, passividade, agressividade, tristeza, entusiasmo, companheirismo, solidariedade, compreensão,... Neste contexto os sentimentos envolvidos colaboram para a construção de novos conhecimentos.

A ludicidade dando ênfase aos jogos didáticos é elemento relevante e imprescindível para desenvolver as capacidades de interação, convivência, construção do conhecimento pela ação desenvolvida entre os participantes. Para que a aprendizagem aconteça de modo favorável à construção de conhecimentos devemos  levar em conta as condições internas e externas do ambiente inserido para que a criança se senta segura. Neste contexto houve uma melhora significativa e considerável do desenvolvimento de habilidades externas e internas dos alunos, que conseguiram ter controle das emoções durante as atividades e que essas atitudes contribuiram para diminuir as agressividades, aumentando a colaboração entre professor e aluno, entre colegas da classe e outras classes, que por sua vez contribuiu para a construção coletiva de saberes.

Quando compreendemos os aspectos de linguagem que podemos explorar ao planejar o jogo podemos possibilitar a ampliação do vocabulário, contribuir para o desenvolvimento de relações fonológicas da leitura das palavras relacionando com a escrita.

Resumindo, quando a criança brinca ela é favorecida em muitos níveis ( fisiológico-emocional, comportamental e cognitivo,...) Esses por sua vez sõa repercutidos de muitas maneiras:

  • Regula o humor e ansiedade.
  • Promove a atenção.
  • Desenvolve novas aprendizagens.
  • Reduz stress.
  • Acalma produzindo bem-estar e prazer.
Também podemos perceber que aumenta a motivação física pela reação dos músculos que são impulsionados ao brincar. Outro ponto proporcionado pelo brincar e a ampliação da imaginação e da criatividade fazendo com que a criança aprecie o mundo ao seu redor.

Resumindo, se cada criança é única, então devemos nos preocupar em ajuda-la a se desenvolver em seu contexto, levando em conta sua individualidade e respeitando seus limites. “ Precisamos valorizar o brincar de nossas crianças”.


7. Bibliografia

Aline Leite Ramos, Juliana Rocha R. Santos. A importância do brincar para a aprendizagem e o  desenvolvimento da criança. Artigo publicado em 01 de agosto de 2009 em Educação.
http://www.bvs-psi.org.br/local/file/subsidios/atuais/VeraOliveira.pdf
Antunes, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 10ªed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar. Novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002.
BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL1 Tizuko Morchida Kishimoto – FE-USPhttp://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/7155-2-3-brinquedos-brincadeiras-tizuko-morchida/file
a importância do brincar na educação infantil - Uel 
www.uel.br/.../SIMONE%20CORASSARI%20VIANA%20A%20IMPORTANCIA%20.
Alfabetizando - Iara Medeiros: JOGOS PARA ALFABETIZAÇÃO ONLINE 
matosmedeiros.blogspot.com/2011/12/brincando-com-as-vogais.html
Cora Coralina - Para Ler e Pensar
www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm
Cora Coralina , pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985)

FIALHO, Neusa Nogueira. Jogos no Ensino de Química e Biologia. Curitiba: IBPEX, 2007.
Lição de casa: JOGOS ALFABETIZAÇÃO ONLINE 
julianafaiani.blogspot.com/p/jogos-alfabetizacao-online.html
Incentivo a construção dos próprios jogos.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Ludopedagogia, Educação e Ludicidade. Ensaio. Gepel – Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Ludicidade, p. 57. Salvador: FACED/UFBA, 2000.
Maria Montissori – Conceito de
http://www.montessori-al.com.br/cmm/mariamontessori.pdf
PlayKids Jogos Educativos –p/ Estimular o Desenvolvimento
www.playkidsapp.com/jogos/educativo         
PIAGET, Jean; INHELDER, Bärbel. O Desenvolvimento das Quantidades Físicas na Criança. Conservação e atomismo. Trad. Christiano M. Oiticica. Rio de Janeiro: Zahar. 1970. 359p.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. 6.ed. São Paulo: Martins Fonseca Editora LTDA,1998.

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