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Diferenças entre os gêneros reportagem e notícia



Embora pertençam ao universo jornalístico, existem importantes diferenças entre os gêneros reportagem e notícia.


Diferenças entre os gêneros reportagem e notícia 
Reportagem e notícia são gêneros textuais distintos, pois apresentam características temáticas e estilísticas que possibilitam sua identificação

Os gêneros textuais e a comunicação são elementos indissociáveis. Os gêneros estão sempre a serviço das interações verbais, sejam elas orais ou escritas, podendo sofrer modificações para melhor atender as necessidades dos falantes. Como são diversas as situações comunicacionais nas quais nos envolvemos em nosso dia a dia, é normal que exista uma infinidade de gêneros, textos marcados, sobretudo, pelo dinamismo e pela versatilidade.
Entre os gêneros mais acessados em nosso cotidiano estão os gêneros textuais do universo jornalístico. Estudar esses textos a partir do ponto de vista da linguística textual é imprescindível para melhor compreendermos seus aspectos discursivos e estruturais. Analisar a linguagem utilizada pelos jornalistas nos diversos veículos de comunicação é fundamental para percebemos a influência que a mídia exerce na formação de valores e opiniões na contemporaneidade.
Pensando nisso, o Mundo Educação traz agora para você as principais diferenças entre os gêneros reportagem e notícia, pois, ao contrário do que muitos pensam, esses são gêneros distintos, cada qual possui elementos temáticos, composicionais e estilísticos próprios, permitindo assim sua identificação. Vamos lá?
Diferenças entre os gêneros reportagem e notícia
 Os gêneros textuais do universo jornalístico podem ser divididos em dois grandes grupos:
  • Gêneros do jornalismo opinativo;
  • Gêneros do jornalismo informativo.
De acordo com essa divisão, a reportagem enquadra-se entre os textos do jornalismo opinativo, enquanto a notícia está entre os textos do jornalismo informativo;
 A notícia tem como objetivo principal narrar acontecimentos pontuais, ou seja, fatos do cotidiano; a reportagem extrapola os limites da notícia, pois não tem como única finalidade noticiar algo;
 Muitos teóricos da comunicação não estabelecem relação entre a notícia e a reportagem, pois veem esse segundo gênero como um gênero autônomo, isto é, desvinculado dos parâmetros que regem a notícia. Enquanto a notícia informa sobre temas do momento, a reportagem trata de um fenômeno social ou político, acontecimentos produzidos no espaço público e que são de interesse geral.
 A reportagem apresenta elementos que não são encontrados na notícia:
  • Emprego do discurso direto e do discurso indireto: Na notícia, o discurso predominante é o indireto, enquanto na reportagem os dois tipos de discurso mesclam-se para melhor construir os significados do texto;
  • Polifonia: No gênero textual notícia, a única voz presente é a do repórter. Na reportagem, é comum encontrarmos o recurso da polifonia, pois nesse gênero existem elementos como entrevistas com testemunhas e/ou especialistas. Esses elementos permitem que o jornalista, ao apresentar outras vozes no texto, isente-se da apresentação dos fatos;
  • A reportagem é assinada pelo repórter, a notícia, não. Isso acontece porque a reportagem é construída a partir de um ângulo pessoal, com contornos narrativos bem marcados, enquanto a notícia é objetiva e imparcial;
  • Meios de divulgação: A reportagem é mais frequente em revistas e em edições específicas de jornais (geralmente publicadas nas edições de finais de semana). Isso acontece porque o gênero textual reportagem apresenta uma estrutura textual mais complexa, fruto de uma investigação minuciosa do jornalista.
Para que você entenda melhor as diferenças abordadas neste texto, observe os exemplos de reportagem e notícia abaixo. Boa leitura e bons estudos!
Reportagem:
A terceirização do trabalho será liberada no Brasil?
Câmara está próxima de votar projeto de lei que quer tirar todas as restrições à mão de obra terceirizada, que hoje corresponde a 25% dos trabalhadores do País
por Samantha Maia
Depois de 11 anos de trâmite no Congresso, o projeto de lei que libera a terceirização da contratação de serviços no Brasil deve ir para votação na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira 8. O projeto é defendido pelos empresários, que afirmam que a lei acabará com a insegurança jurídica na contratação de terceirizados e aumentará a competitividade das companhias. “A terceirização é uma forma moderna de organização, o mundo inteiro terceiriza para ganhar eficiência”, diz Alexandre Furlan, vice-presidente da Confederação Nacional das Indústrias.
Os sindicatos, no entanto, enxergam no projeto um ataque aos direitos trabalhistas. “O que está em debate é a destruição ou a preservação de tudo o que construímos nos últimos cem anos de lutas no Brasil”, diz a secretária da CUT Maria das Graças Costa.
Conheça mais sobre o que está em jogo na votação do Projeto de Lei 4330:
1) O que é projeto da terceirização?
O Projeto de Lei 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), regulamenta a contratação de serviços terceirizados no País e permite que toda e qualquer atividade possa ser terceirizada. Um substitutivo foi apresentado pelo deputado Arthur Maia (SD-BA) em 2013, sem alterar os principais pontos, e irá para votação na Câmara.
2)  Qual é a regra para a terceirização no Brasil hoje?
Desde 1993, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho rege a terceirização no Brasil e restringe essa prática aos serviços de vigilância e limpeza e a funções não relacionadas às atividades-fim das empresas. Quem contrata o serviço terceirizado não é responsabilizado diretamente por infrações trabalhistas da contratada, ponto mantido no PL 4330. O Brasil tem hoje 12 milhões de trabalhadores formais terceirizados, o equivalente a 25% da mão de obra do País.
3)  Por que os sindicatos são contra a terceirização?
Os sindicatos relacionam a terceirização à precarização do trabalho. Segundo levantamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Dieese, ao comparar trabalhadores que realizavam a mesma função em 2010, os terceirizados recebiam em média 27% a menos do que os contratados diretos, tinham uma jornada semanal 7% maior e permaneciam menos tempo no mesmo trabalho (em média 2,6 anos, ante 5,8 anos para os trabalhadores diretos). Estudo da Unicamp revelou que, dos 40 maiores resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão nos últimos quatro anos, 36 envolviam empresas terceirizadas.
4)  Quem mais é contra?
Existe um grupo chamado Fórum Nacional em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização que congrega, além de representantes sindicais, acadêmicos, juristas e entidades internacionais ligadas à defesa dos direitos trabalhistas. Em documento enviado por 19 dos 26 do Tribunal Superior do Trabalho ao autor do PL 4033, Sandro Mabel (PMDB-GO), em 2013, os juristas afirmam que a proposta provocará uma “gravíssima lesão” de direitos contra os trabalhadores.
Para o ministro do TST Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, “franquear a terceirização é desconstruir todo o sistema trabalhista”, parte integrante da democracia brasileira. Para o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, por trás do argumento da competitividade existe uma “regressão dos direitos sociais”.
5)  Por que os empresários defendem a terceirização irrestrita?
Os empresários afirmam que a terceirização é uma tendência mundial para ganho de competitividade e produtividade. A regulamentação, segundo as principais entidades empresariais, é necessária para dar segurança jurídica aos contratos e fomentar o emprego. As companhias reclamam que hoje falta clareza na definição dos conceitos de atividades-fim e meio, e a consequência são os cerca de 17 mil processos contra terceirizadas em andamento na Justiça do Trabalho.
“Temos uma legislação fomentadora de conflitos”, diz Furlan. Segundo sondagem da CNI, 75% das empresas dizem fiscalizar o cumprimento do pagamento de encargos trabalhistas e das normas de saúde e de segurança das terceirizadas, e 60% afirmam oferecer aos terceirizados e aos contratados o mesmo tratamento. Os problemas apontados pelos sindicatos, de acordo com os empresários, estão nas falhas na fiscalização. “A terceirização benfeita evitará a precarização”, diz Romeu Camargo, assessor jurídico da Federação do Comércio de São Paulo.
6) Quem mais é a favor?
Apesar de minoria, há juízes do TST a favor do projeto. Os argumentos são baseados no direito à livre iniciativa na economia e na necessidade de regulamentar um fenômeno que seria irreversível no mercado de trabalho.
7)   Desde quando o fim dos limites para a contratação de terceirizados é discutido no Brasil?
A articulação de entidades empresariais para derrubar as limitações à contratação de terceirizados ganhou força nos anos 1990, com o avanço do neoliberalismo e das propostas para reduzir custos e desregulamentar o trabalho. O Enunciado 256 do TST, vigente até 1993, proibia a terceirização no País. Por isso, a Súmula 331 foi considerada um retrocesso pelo movimento sindical, mas hoje ela representa a única garantia de limite à terceirização. Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso enviou ao Congresso um projeto de lei para acabar com as restrições ao trabalho terceirizado, engavetado em 2003, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
8) Por que o Supremo Tribunal Federal também poderá influenciar a liberação da terceirização no Brasil?
O STF está encarregado de apreciar o recurso da fabricante de celulose Cenibra, de Minas Gerais, contra a decisão da Justiça do Trabalho de condená-la a pagar 2 milhões de reais por terceirização ilegal da atividade-fim da empresa. Como o assunto seguiu para exame da existência de repercussão geral (indispensável ao julgamento dos recursos extraordinários), a decisão tomada pela Corte deverá ser aplicada a todos os casos em tramitação na Justiça. A Procuradoria-Geral da República deu parecer contrário ao recurso da Cenibra.
9) O que falta para o projeto que institui a terceirização geral ser aprovado?
Caso o projeto de lei seja aprovado na Câmara, ele segue para a apreciação do Senado, onde deverá passar por aprovação nas comissões antes de ser votado. Se houver alguma modificação no Senado, o projeto volta para a Câmara. Se for aprovado no Senado, vai para a sanção presidencial.
Notícia:
Trabalhadores protestam em todo Brasil contra terceirização
São Paulo - O Brasil amanheceu nesta quarta-feira com uma série de manifestações em várias cidades do país, em uma jornada de protesto convocada por movimentos sociais e sindicatos contra o projeto de lei que amplia e regulamenta a terceirização.
Em São Paulo, ocorreram bloqueios momentâneos em grandes rodovias. Manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) cortaram por 30 minutos o tráfego em trecho parte da Via Dutra, que liga as cidades do Rio de Janeiro a São Paulo, na altura de Guarulhos.
Além da CUT, os protestos foram convocados pela Central Trabalhadores do Brasil (CTB), Conlutas e Nova Central e Intersindical.
A rodovia entre Campinas e São Paulo também teve um trecho fechado, assim como a Via Anchieta, principal rodovia em direção ao Porto de Santos.
Em Minas Gerais, houve protestos contra a terceirização durante a madrugada em frente à entrada de fábricas no polo industrial de Betim.
A Jornada Nacional de Paralisações também contou com a adesão de funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e empregados do serviço de transporte de Salvador, que atrasaram em duas horas o início de suas atividades.
Os metalúrgicos organizaram assembleias e ações contra a terceirização nas fábricas da Volkswagen, Mercedez Benz e Ford, também em São Paulo.
Um dos principais protestos durante a jornada será realizada pelos sindicatos em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apoia o projeto de terceirização.
Lutar contra a terceirização é uma "questão de honra", afirmou o ex-sindicalista e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem à noite, ao rejeitar o projeto que foi aprovado pelo Congresso.
A Câmara dos Deputados, com a oposição dos partidos de esquerda e inclusive do PT, aprovou estender a possibilidade de se contratar empregados terceirizados para todos os setores da produção, o que mobilizou os sindicatos.
De acordo com Vagner Freitas, presidente da CUT, a Consolidação das Leis de Trabalho, regime instaurado na década de 40, "será jogado no lixo se a terceirização for aprovada".
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